Realidade muito mais virtual.



Olhe bem para a foto acima.
Feia, não é mesmo? Mas ela ficará no passado. Nunca mais as ruas de nossa cidade aparecerão deste modo nos noticiários locais e nacionais. Agora vivemos uma nova era.
A tão alarmada Era Digital.
E graças a ela, ficaremos bem melhor na fita. Ou melhor: ficaremos bem melhor nas tv's de alta definição.
Chega de termos o (bom?) nome do nosso Estado associado somente a coisas ruins. Chega!!!
Na revolução digital, tudo aquilo que nos envergonha será esquecido, transformado pelo poder da tecnologia em algo mais belo, que nos encha de orgulho. Nada de gastar rios de dinheiro em obras públicas. Esse dinheiro pode ser poupado e usado para o benefício dos que nos governam. Em nossa revolução digital, as despesas serão diminuídas em prol de um mundo melhor. Artificial, é verdade.Mas melhor.
E assim marcharemos rumo ao nosso destino glorioso
Entretanto nos vem a lembrança que sempre somos mal falados por causa da nossa classe política antiga e mesquinha que jamais largará o osso do poder.
Pois bem, vamos digitaliza-los também. Em nosso novo mundo, o político carrancudo e bigodudo do ontem será o feliz e carismático Lula do amanhã. Tudo devido a mais alta tecnologia que transforma a embalagem e , quem sabe um dia, transformará o caráter também.
A revolução começa hoje e aos poucos se espalhará por todo o nosso território. Conseguiremos um feito histórico. Pelas telas da tv's, estradas majestosas surgirão onde antes só havia caminhos tortuosos de terra batida. Escolas de alto nível se multiplicarão tomando o lugar dos atuais prédios abandonados e mal estruturados.
E o povo?
O povo estará sempre lindo. Forte. A brincar nos campos floridos ao redor. Não haverá mais dor nem tristeza. E o Governo enxugará dos seus olhos toda a lágrima.
Nossa! Pra quê esperar pelo céu? Aqui será bem melhor.
É o Maranhão dos nossos sonhos.
Em uma nova era. Digital, mas nem um pouco real.

Giselle pode ser Gorette!

Tenho um caso de amor e ódio com o "Pânico na TV". Em algumas ocasiões, revolto-me com as piadas e quadros apelativos do programa. Em outras, bato palmas pela criatividade e coragem em tratar temas polêmicos. E no momento, as palmas estão ganhando. Tudo por causa da transformação de Paula Veludo, personagem criada pelo programa, interpretada por uma jovem cujo principal atrativo é a ausência dos dentes.
Estratégias para ganhar audiência à parte, o quadro do programa humorístico está proporcionando um momento único na televisão comercial brasileira. Faz com que a massa da população, inclusive a turma mais jovem que é fã cativa do Pânico, pense um pouco ( mesmo que seja só por alguns minutos) na superficialidade do valor que é dado a aparência física.
E isso conta muito.
Em um país onde o mundo perfeito de "Malhação" é espelho para uma geração de adolescentes (movidos ao e pelo consumismo),estimular uma reflexão sobre o papel da beleza na mídia e fora da mídia é algo a ser celebrado.
Beleza vende. Isso é fato. O problema é quando beleza, e somente ela, é motivo para empregar. Ou então ajudar alguém. No quadro do programa, uma "gostosona" levou apenas 30 segundos para ser auxiliada na difícil tarefa de trocar um pneu furado. Rapidamente, um jovem ofereceu-se para ajudá-la. E sem segundas intenções, como bem disse o Emílio. Por outro lado, ao passar pela mesma situação, Paula Gorette Veludo penou e muito até que encontrasse uma boa alma disposta a ajudá-la.
E isso fala muito sobre nosso povo.
Sobre como nossa visão de "ajudar ao próximo" é condicionada a quem é esse próximo. Se for alguém bem vestido, de "boa aparência", a soliedariedade inundará nossos corações. Entretanto, quando quem nos pede auxílio é alguém que não foi agraciado com uma estampa legal ou cuja imagem desperta suspeitas, a frase "agora não dá pois atrasado" reinará absoluta em nosso lábios.
Somos assim. Mas isso não quer dizer que devemos ser assim.
Desculpe-me o poeta, mas beleza de alma é fundamental. É ela que nos faz humanos e é dela que extraímos forças para luta cotidiana. E tal beleza é que deve ser o alvo da nossa procura. Ainda mais em uma sociedade que produz em abundância Giselles na aparência, mas Gorettes na alma.

Cidadão sem noção.

A cena já se tornou memorável.

Em mais um quadro inspirador, os gênios do CQC colocaram à prova a disposição do cidadão comum em resolver problemas que estão bem a sua frente. E mesmo que não resolvesse, que ao menos tomasse uma atitude adequada. Era o "Cidadão em ação". Mas o que se viu...
O que se viu foi um bando de sem noção violando as leis e dispostos a levar nossa juventude a um futuro não tão brilhante assim.
Os poucos que exerceram a cidadania e assumiram uma postura exemplar, assim o fizeram não por saber que se tratava de um quadro jornalístico, mas sim pela consciência de que o mínimo de bem que podemos fazer para o próximo é o suficiente para mudar a sociedade em que estamos inseridos.
Por outro lado, os "sem noção" agiram levados pelo senso comum de que o problema do outro é do outro. Não é meu. Não cabe a mim assumi-lo. Ou até mesmo compartilhá-lo. Ainda que o outro se pareça ou tenha a mesma idade de algum ente querido.
O garoto que me pede cigarro é de menor? Culpa dos pais que não o ensinaram direito, que não o orientaram. "A culpa e a responsabilidade não são minhas" pensam alguns.
O índice de alcoolismo entre adolescentes cresce? Eu não tenho nada a ver com isso e aposto que o copo de Jurubeba que arranjei para aquele guri não vai transformá-lo em um bêbado. E mesmo se fizer, e daí? Não mandei ele beber. Nem sou pai dele. Aliás ,nem o conheço. Só tava fazendo um favor.
E por que razão iria negar uma "sacanagemzinha" pra alguém de menor? É de pequeno que se aprende. "Li" várias revistas dessas e aqui na boa. Só minha mão que dói de vez em quando. Sacanagem faz bem. Ainda mais que com essa onda emo atacando a garotada de hoje , temos que pensar no futuro procriativo da humanidade. Fresco mesmo, só se for o ambiente.

As frases acima parecem ser ficcionais.Mas não são.Muitos de nós pensam assim e propagam essas idéias. O resultado disso? uma geração de jovens desmiolados e viciados. Vivendo como adultos mas sem a devida maturidade. E gerando crianças que possivelmente repetirão os mesmos atos, caso o ciclo não seja quebrado.
É nesse momento que o cidadão deve entrar em ação.
Eu não preciso ter laços sanguineos ou emotivos com alguém para que o ajude.Para que o oriente. Se estiver ao meu alcance ( e até mesmo não estando), cabe a mim como cidadão consciente orientar aqueles que por falta de maturidade ou estrutura familiar estão desorientados.
Caso contrário, posso ser mais um nome adicionado a imensa lista de vítimas de crimes praticados por menores.
Menores que poderiam ser salvos se alguém como eu e você entrássemos em ação.

E com vocês, a Mulher... Mulher!

Juros altos, crise mundial, economia em recessão.

Cara, tudo isso tá quebrando com as minhas rendas. Preciso arranjar um modo de ganhar dinheiro rápido. Vou ligar a TV. Vai que a inspiração surge.
...
Mas quê que isso que vejo??? O Superpop ( meu programa "educativo" preferido) apresenta a mais nova aquisição da cultura musical brasileira: a mulher múmia ( que de múmia não tem nada). Enquanto estudo a anatomia das faixas , uma idéia me vem a cabeça. Essas gostosas sem talento... (ops, desculpem!) Essas talentosas artistas faturam uma grana boa. E seus empresários também. Vejo que é hora de mudar de profissão.
...
Muito bem. Preparem-se! Orgulhosamente eu apresento a Mulher... Mulher!
Ela não canta, mas encanta. Suas qualidades são bem maiores do que qualquer bunda arrebitada.
A Mulher-Mulher sempre estará presente quando você precisar.
Acabou a cerveja? Rapidamente ela entrará em cena e vai ajudá-lo na difícil tarefa de encher o seu copo. O dedão do pé tá coçando e bateu aquela preguiça de coçar? Nossa heroína sempre sorridente aparecerá para salvar o dia. Seus amigos resolvem fazer uma visita surpresa em pleno feriadão? Não se preocupe! Nosso modelo de mulher preparará um banquete dos deuses, sempre sorridente e disposta a agradá-lo. Sem falar que entre quatro paredes, ninguém a supera. E ainda temos a versão muda para que você não se estresse com tanto falatório.
E então? Sou ou não sou um gênio?
...
Estou nas nuvens. A aceitação da Mulher-Mulher está sendo muito boa. Até já estou pensando em montar uma filial em algum país do Oriente Médio ( afinal, eles entendem bem de submissão). Minha idéia "original" salvou as minhas finanças. E estou conquistando o mundo nos meus quinze minutos de fama. Nos bastidores, é claro. As siliconadas suam a camisa e eu enxugo com minhas notas reais.
...
Quem diria! Estou no sofá do !Realizei um sonho de infância. E tudo graças a um par de seios turbinados. Não os meus. Mas os dela. E como gastei muito na embalagem mas não no conteúdo, não deixo que minha criação fale nada. Eu respondo as perguntas e ela mexe o traseiro.
...
Vejam só. Minha criação resolveu ser independente. Ter vida própria. E acabou de me dar um chute no traseiro. Mas tudo bem! A recissão do contrato vai me garantir uma aposentadoria considerável.
...
E enquanto escrevo estas linhas, imagino a quantidade de pessoas que realmente possuem essa visão acerca das mulheres. Eis o porquê do "mercado das mulheres-frutas" se renovar constantemente nesta grande feira ao ar livre chamada "Brasil".

Governar é cuidar do povo. E definitivamente!

No reino do "Faz-de-conta-que-acontece" o caos havia se instalado. A rainha, temerosa em perder o trono, tratou logo de visitar os cantos mais remotos para mostrar aos seus fiéis súditos que o poder ainda estava em suas mãos. Montada em seu corcel, acompanhada de bajuladores e seguida pelo povo, ela ia triunfante. Era um abraço apertado aqui, um cheirinho nas crianças ali. Tudo transcorrendo conforme manda a cartilha do bom governante.

Mas, eis que de repente uma bomba é lançada: "Crianças do reino morrem por falta de assistência médica."
O múrmurio foi geral.
"Nossa! Como isso é possível?" era a pergunta recorrente nas ruas. "Onde estão as tendas médicas?" "Não há mais vagas?"
Furiosa, a rainha cobrou explicações do curandeiro chefe.
Não encontrando-as, foi taxativa em sua sentença: "Corte-lhem a cabeça!"
Quem dera fosse tão fácil assim resolver as coisas. Moedas do reino foram enviadas para acalmar a situação.Mas o mal já havia sido feito. Revoluções pipocavam pelo reino. O poder da rainha estava ameaçado.
Entretanto, havia um ás na manga. O grande marqueteiro, aquele-que-tudo-sabe. O único que poderia criar uma mágica poderosa, capaz de ludibriar o povo e trazer a passividade ao reino.
E assim foi.
Telas mágicas foram espalhadas por todo reino e nelas belas imagens retratavam as ações da rainha em prol de seu povo.
E vejam só: O que o povo vê, o povo crê.
Uma onda de otimismo varreu todo reino. As pessoas cantavam nas ruas ( sem nem saber bem o porquê) levados pela mágica das telas.
Porém, nem tudo são flores neste mar de amores. Eis que o clichê dos clichês entra em cena: um grupo de rebeldes levanta-se contra a rainha.
"Cortem-lhe a cabeça" gritava a Poderosa enquanto a milícia real caçava os revoltosos. Os que não foram silenciados pelas balas foram trancafiados nos porões.
E para não haver mais problemas, dia e noite as telas mágicas reproduziam a mensagem real. E uma mentira contada diversas vezes acaba transfigurada em verdade.

Assim é o Maranhão. "A grande mentira".
Entretanto, pelo menos em uma coisa a rainha não mente: governar é cuidar do povo. Cuidar para que ele continue na ignorância, na miséria, na escravidão. É cuidar para que as chaves do reino nunca saiam do seu clã.
Exatamente como o papai ensinou. Em um imenso conto de fadas que não tem final feliz.
Ao menos por enquanto.

Éguas!!! Me xingaram de maranhense!!!


Tudo ia bem até os 45 minutos do segundo tempo. O juiz deu mais alguns de acréscimo só pra ferrar com meu Mengão. E foi justamente nesse momento que a desgraça aconteceu. Um chute bem colocado de algum infeliz acabou com o sonho de mais uma vitória rubro-negra. Foi uma tristeza sem fim. Mas tudo bem. Futebol é assim. Às vezes se ganha, às vezes se perde.
Eu entendo isso.
Porém...
Os caras que estavam do lado aposto à minha mesa ao que parece não entendem. Começaram a comemorar de forma entusiasmada. Exagerada pra ser sincero. E isso me incomodou. Perder até que dá pra aguentar. Mas provocação de adversário é foda. Começamos então uma discussão básica, comum em situações assim. Era um "fdp pra lá", um "vai sifu" pra cá. Tudo na mais perfeita normalidade. Até que alguém tinha que estragar o bagulho. Ainda me lembro do choque que levei ao ouvir as palavras saindo e chegando até mim. Quase não consegui acreditar, mas era verdade. "Maranhense". Fui xingado de "maranhense".
Naquele momento, imagens da minha infância invadiram a mente. Todo o carinho que meus pais dedicaram a mim, todos os anos de estudo, tudo isso jogado na lama por causa de uma palavra:"maranhense".
Sou um cara pacífico ao extremo, mas tudo tem limite. A última ofensa foi demais. Desci a mão na cara do sacana e aí a confusão foi generalizada. Como resultado, levei um olho roxo pra casa.
Minha esposa, consciente de minha postura pacifista, estranhou tamanho ato de violência da minha parte. Mas recebi seu apoio e carinho quando revelei o motivo de minha indignação. Derramando-se em lágrimas, ela abraçou-me e foi solidária com minha dor. Minhas filhas, que estavam escondidas ouvindo nossa conversa, correram ao meu encontro e abraçaram-me como nunca haviam feito na vida. "Papai, nós te amamos. Não ligue para o que falaram", elas diziam entre lágrimas.
Depois de tanto apoio, consegui ter uma noite de refrigério. Entretanto, mal sabia o que a manhã iria me trazer.
Os ventos da maledicência já haviam espalhado a notícia na cidade onde morava. As pessoas me olhavam de um modo estranho, apontavam pra mim e soltavam risinhos. alguns me encaravam com aquele olhar de compaixão oferecido ao mais miserável dos homens.
E isso tudo ia me enchendo. Tentei não dar a mínima, mas confesso que foi difícil.
Na escola onde leciono, o alvoroço era geral. Mais do que apenas espalhar a notícia, algum engraçadinho gravou um vídeo da confusão e tratou de divulgar na rede. Logo todos estavam com ele em seus celulares. E faziam questão de assisti-lo enquanto eu me dirigia para a sala de aula. Tentei dar continuidade ao dia, mas os alunos agitados com a novidade não paravam de me interrogar para saber se a tal história era verdade. O alvoroço chegou aos ouvidos do diretor. Fui chamado a sua sala onde tivemos uma conversa.
Na verdade, um interrogatório. E não deu outra. Fui demitido.
O argumento era que não devia esconder algo tão grave assim . Que devia alertar as pessoas.
Fui pra casa arrasado. Culpado por um crime que não cometi. Marcado por algo fora do meu controle, da minha escolha.
E a velocidade como a história se espalhou me espantou demais.
Alguns vizinhos mais exaltados ,"convidaram-me" a mudar de endereço. Não queriam alguém da minha espécie difamando a comunidade. E assim foi.
E tudo por causa do "maranhense".
As pessoas me olham e pensam : "olha só. É aquele ali. Ele é que é de lá da terra do bigodudo, do homem dos atos secretos". "Foram eles que colocaram aquelas pragas no poder há mais de 40 anos. Eita, povinho alienado".
Confesso que sinto vergonha de ser maranhense.
...
Mas pensando bem...
Não há do que me envergonhar. O dinheiro desviado dos cofres públicos não está na minha conta. A miséria que afeta meu povo não foi originada por mim. A alienação que atinge o Estado não se propaga através da minha vida.
Não. Não é vergonha que eu devo sentir. Que você deve sentir.
O sentimento deve ser outro. Chama-se indignação.
Essa é a arma que podemos usar pra transformar o Estado em que vivemos naquilo que nós queremos que ele seja. Naquilo que ele pode ser.
Os pilantras que estão no poder é que deveriam sentir vergonha. Vergonha de tratarem de forma tão mesquinha e ordinária um povo sofrido como o nosso. Um povo que tem sonhos que poderiam virar realidade caso não estivessem debaixo das mãos de tantos homens gananciosos.

E a nossa luta continua. Para que "Maranhense" seja sinônimo de orgulho nacional e não o inverso. Para que nosso Estado seja conhecido pelo valor do seu povo e não pela corrupção de seus governantes.



Não quero Deu$.


"Para me tornar pastor, tive de vender minha casa e doar o dinheiro à igreja. Disseram que era um jeito de provar que Deus estava no meu coração. Quando comecei a pregar, participava de reuniões periódicas para falar sobre metas de arrecadação. Eu fazia uma verdadeira lavagem cerebral nos fiéis para convencê-los a doar mais dinheiro. Precisava levantar 150000 reais mensais em doações e, depois aumentar 20% a cada mês. Cheguei a ir para o hospital, tamanha a pressão. Houve um mês em que consegui apenas 120000 reais. Por não bater a meta, fui xingado de burro e endemoninhado por um bispo. Depois disso, decidir abandonar a Universal."
(Jenilton Melo dos Santos, 44 anos, ex-pastor. Depoimento extraído da revista Veja, Agosto de 2009)

Dinheiro. Para muitos, essencial. Fonte única de prazer, de alegria. É a "mola do mundo". Na verdade, é o mundo. Tornou-se Deu$. Um deus cruel que sempre exige mais e mais daqueles que o adoram. Nunca satisfeito. Sempre consumindo todos a sua volta.

Pode parecer exagero, mas o parágrafo acima é a única explicação possível para as tantas barbaridades que são cometidas em nome de uma fé que de espirtual não tem nada. Ao contrário, é danosa ao corpo a e alma, transformando os "fiéis" em mariontes de líderes oportunistas que gozam dos benefícios do poder. Poder que é concedido pelas ovelhas seduzidas pela voz dos lobos.
E isso é algo inadmissível.
Fé e dinheiro sempre andaram juntos. Desde os primórdios da história cristã. E essa relação costantemente gera discordâncias. É uma luta pelo controle do coração humano. Para saber quem realmente vai ocupar o trono. E temo que o lado errado esteja ganhando.
Há uma ausência de fé despojada em nossos dias. Igrejas lotadas de pessoas viciadas no processo "toma lá dá cá" eclesiástico não mudam a vida de ninguém. Isso gera um interesse temporário no que se refere a divindade. Interesse que encontrará fim quando a questão problemática for solucionada e voltará a tona quando a próxima surgir.
Enquanto isso, os escândalos envolvendo quantias exorbitantes de dinheiro vão levando ladeira abaixo a boa imagem ( ainda que seja mínima) de instituições eclesiáticas sérias.
Arranjar culpados pra tal situação não é tarefa complicada. Basta olhar para os condomínios de luxo e mansões situadas em aréas nobres das grandes cidades brasileiras. E até do exterior. É lá que estão os ministros do evangelho da prosperidade. Guardados no conforto de seus lares , que foram edificados com muito suor e lágrimas.
Não deles, é claro.
Foram as lágrimas do José, do Maria, do João. Do imenso rebanho que anda atrás de alguém que o guie até os pastos divinos, mas apenas servem como fantoches , manipulados por mãos que servem ao Deu$ destes tempos modernos e cujo sangue não verte mais.
Hoje, são apenas cédulas.

Alguém a quem culpar.

Errei.
Mas não foi porque quis. Estava imerso em meus pensamentos, cuidando da minha vida, quando a danada apareceu e me fez perder as estribeiras. Como sou humano, atribuo a culpa a outros.
Jamais erro. Sou levado a errar.
O que no final das contas dá no mesmo, mas alivia um pouco as coisas para o meu lado.
E antes que você atire a "primeira pedra" ( adoro essa metáfora cristã), lembre que somos iguais. Em maior ou menor grau, você faz a mesma coisa.
Ruas esburacadas? Lixo em demasia na cidade? Educação e Saúde em colapso? A culpa não é sua. Claro que não!
É do governante. Aquele que foi eleito por você e alvo prioritário do seu dedo acusador. O fato de ter sido eleito por seu voto é um mero detalhe, facilmente esquecido no calor da indignação.
E pra ser sincero, é mais cômodo agir assim. Quando a culpa está nos outros, podemos descansar a consciência. Afinal, fomos levados ao erro. Ele não faz parte de nós. É como uma pedra no sapato. Algo a colocou em nosso caminho.
Somos inocentes. Você é inocente.
Mas o que acontecerá quando a lista de culpados se findar? Pra onde iremos apontar nossas armas?
Arranjar alguém a quem culpar pelos nossos erros parece ser o grande desafio deste e dos séculos passados. De Adão até nós, outros sempre carregam a culpa de forma indevida.
E por essa razão, a vida de muitos continua inalterada apesar dos esforços feitos para que a mudança ocorra.
É possível mudar essa realidade. Antes que ela transforme cada um de nós em réus dos erros alheios.
Eis uma dura verdade. Mas se você não entendeu, a culpa é sua.
É claro.

Meus atos secretos. E os deles!

Trancado no banheiro do quarto, acreditava que a privacidade não seria violada. Com o habitual material literário em mãos, comecei a executar meu primeiro ato secreto. Tudo ia bem, de acordo com o planejado, quando inesperadamente a paz reinante é quebrada. Batidas incessantes ecoavam pelo recinto, seguidas da típica frase: " que você tá fazendo trancado aí, menino?" Ainda suando, abri rapidamente a porta e meu rosto vermelho me denunciava. Fui descoberto. E em pleno ato. O que era secreto, tornou-se público e acabei virando motivo de piada e fofoca dos abutres de plantão. Meus pais, envergonhados, insistiam para que eu me licenciasse da presidência, mas como o Clube de cards iria existir sem mim? Entretanto, sem o apoio dos meus pares(uns ingratos e traidores) tive que sair do poder, deixando estrategicamente meu irmão caçula no lugar. E como a vida é uma grande escola( adoro esse clichê), aprendi algo com o acontecido: ter cuidado com os atos secretos não tão secretos assim.

2009. O tempo passou e vejo que meus colegas senadores estão enroscados, ou melhor, continuam enroscados em atitudes obscuras. As sacanagens que eu fazia com meus próprios bens,eles fazem com os dos outros. E como não primam pela esperteza, acabaram-se descobrindo todas as tramóias. O dono da festa, bigodudo e maranhense( e por favor, ser maranhense é virtude, apesar do que muitos pensam), recusa-se a sair da cadeira. Devoto de São Lula, o protetor dos mensaleiros e daqueles que carregam dinheiro na cueca, o titular do posto de chefe segue adiante. E tudo isso nos faz pensar no Brasil.
Como levá-lo a sério?
Temos uma Constituição falha, precisando de alterações urgentes que não irão ocorrer, infelizmente, pois os legisladores são os menos interessados em mudar as regras do jogo. São Lula, que trata de forma diferenciada seus seguidores, critica de modo taxativo o "denuncismo" da imprensa. "Denuncismo" responsável por escancarar as portas das salas obscuras do Senado.
Não é esse país que nós queremos.
Atos secretos não são cabivéis em uma democracia. Mesmo em uma deficiente como a nossa. Quando praticados por um adolescente em fase de crescimento, atos secretos são atitudes aceitavéis. Quando surgem na mente daqueles que deveriam representar o povo, mostram quão suja está nossa nação. E não só por causa do que é feito às escondidas,mas principalmente do que ocorre à tênue luz da justiça brasileira.

Um mundo em preto. E mais ou menos branco!

Havia negros por todos os lados.
Sentiu-se um peixe fora-da-água. E todo mundo o olhava como se fosse um mesmo. Sua pele clara e olhos azuis contrastavam com o negro predominante na maioria dos outros alunos.
Logo na entrada, encontrou-se com um velho amigo de infância limpando o corredor do curso de Direito. Lembrou-se dele, de como diziam que teria um futuro promissor, apesar de ser branco. E agora estava ali. Tanto potencial desperdiçado em um balde e esfregão.
Não entendia como o país podia ser tão racista, discriminador. A maioria branca e pobre era relegada a segundo plano, enquanto a minoria negra gozava dos benefícios do poder. Conseguiu a vaga na universidade pública por meio do "discutível" sistema de cotas para brancos. Ainda na primeira aula, sentiu o peso das desigualdades em um país continental. Um grupo de alunos negros, prejudicados pelas cotas, fizeram um barulhento protesto em frente à universidade.
Sentiu-se meio culpado, mas o que podia fazer?
Nunca teve oportunidade na vida e não podia perder essa porta de entrada para o ensino superior. Ainda mais no curso de Direito, onde a elite negra predominava. Quantos advogados ou juízes brancos existiam? O mínimo do mínimo!
Os brancos sempre foram tratados como seres inferiores, incapazes, mentalmente involuídos. Claro que nem todo negro pensava assim. Alguns intelectuais pregavam o respeito às diferenças existentes nos seres humanos e que todos deviam ser tratados de forma igual. Eram brancos, mas eram humanos em primeiro lugar. Todos eram humanos.
Entretanto a mídia era dominada pela "beleza negra". Os grandes atores, cantores e apresentadores eram negros. Os brancos eram sempre retratados como uns pobres coitados , marginais ou traficantes. Ser branco era como ser parte de um grupo à parte, portador de alguma doença contagiosa.
Por isso, o governo estabeleceu o programa das cotas pois era consciente de que o voto dos brancos também é válido. Não era uma solução, mas ao menos mascarava um pouco. E deixava os brancos mais felizes. As leis raciais também ajudavam a estabelecer a idéia de um país uniforme. Chamar alguém de "giz", "leite" ou qualquer outro termo discriminatório por causa da cor da pele era crime inafiançável.
E dessa forma, uma nação multicolorida estava sendo formada.

Só esqueceram de dizer que o racismo é uma coisa sem sentido. E sobre qualquer forma ou cor, trata-se da mais rudimentar burrice.
E nada mais além disso.

Vou colar em Lula!

Apesar de tudo, o povo ama Lula.
Tá certo que o "povo" na verdade é a massa de brasileiros humildes e trabalhadores espalhados por nossa imensa nação e que os mesmos, por falta de uma educação de qualidade, não têm consciência crítica pra enxergar o que há por trás dos discursos populistas e da cara de pobre do nosso presidente. Mas ainda assim, ele é amado. Foi blindado pelo povo. Podem chover denúncias de corrupção, mas elas não grudam em Lula. O cara sempre sai ileso. É quase um Superman da política brasileira.
Quase.
E é por isso que tanta gente quer colar em Lula. É até interessante isso. Anos atrás, a simples menção do "Barbudo comunista do PT" faria alguns candidatos sairem correndo. Hoje em dia, a correria continua. Mas em direção a Lula. Correm para figurar ao lado dele numa foto, para aparecer colado com ele em alguma manifestação pública. Na verdade, descobriu-se que Lula não é humano. É uma mina de ouro. Um objeto valioso que traz sorte, benefícios para quem se utiliza dele.
Em nossa cidade, "Oposição" e "Situação" estão com Lula. O verdureiro e o filho do deputado também.
E eu vou colar em Lula, é claro.
Pessoas desconfiam da minha integridade moral, da minha honestidade? Nada que uma foto ao lado de Lula não resolva. É tiro e queda pra restaurar minha credibilidade ameaçada.
Minha esposa desconfia de minhas constantes saídas noturnas? Basta mostrar minhas credenciais lulistas para o amor eterno reinar em meu lar.
Acredito que todo brasileiro deveria ter uma foto de Lula para colar em casa. O país não iria mudar, mas uma onda de otimismo iria varrer a sociedade.
Sociedade unida, melhor e ... colada em Lula!

O que eu aprendi com Mc Catra.

O homem e a mulher têm biologias diferentes. O homem tem mais testosterona, mais tesão. Por isso, ele pode ter várias parceiras de uma vez. Isso não é traição. È a biologia.

A conclusão acima, "brilhante" por sinal, pertence a um arremedo de cantor chamado Mc Catra. Aquele mesmo. O cara do "vai rolar um adultério". Em mais um edificante(?) debate no programa Superpop( só podia ?), o falastrão do Catra, que diz possuir várias esposas( poligamia é crime, mas o gênio disse que não tá nem aí.Ou seja, o cara é um ótimo exemplo para as gerações mais novas!!!), defende sua nova criação que eu não ouso chamar de música: o passar "cartão de crédito" na bunda da mulher filé ou de qualquer outra dessas mulheres-objetos do funk. E isso foi só o começo.
Tenho três décadas de vida e já vi e ouvi muita coisa. Mas o Catra foi de lascar. Foram tantos absurdos ditos que fica impossível citá-los. E Catra é apenas um.
Existe uma variedade de cantores( se bem que me incomoda ter que chamá-los de "cantores") que descaradamente usam o sexo como tema para vender cd's e se destacar no competitivo cenário musical.
Mas o Catra vai mais longe ainda. Uniu, de um modo absolutamente grosseiro, religião e sexo. Segundo o mesmo, suas composições são abençoadas pelo Deus vivo.
A desgraça maior é que personagens como o Mc Catra existem porque fazem parte de um esquema comercial que não dá a mínima para a qualidade ou conteúdo do produto musical. O que vale mesmo é o lucro obtido. O dinheiro conseguido, de forma honesta é verdade, mas nem um pouco honrosa. São as engrenagens do Capitalismo movendo o mundo em que vivemos.
Entretanto não quero viver em um mundo onde as bundas simbolizam o que há de melhor na mulher. Onde seres humanos não passam de pedaços de carne. Onde personagens como Mc Catra fazem relativo sucesso com músicas que tratam a mulher como se ela fosse um troço descartável.
Por isso, lutamos por uma sociedade diferenciada onde a Educação seja prioridade na luta por um mundo melhor. Sem mulheres-frutas ou "cantores" desmiolados.
Porém, infelizmente, o funk de Catra e seus amigos vai continuar tocando. É um dos males da nossa inexistente democracia. Mas independente das asneiras ditas pelo "polêmico" Mc, sempre haverá espaço para escritos como este ou para músicas de qualidade comprovada, que valorizem a mulher e não apenas uma parte de sua anatomia.

E agora? O que fazer com Artur Azevedo?

"99% de nossos alunos de nível médio estão entrando para a universidade (quando entram!) sabendo mais de Ronaldinho Gaúcho, que sobre o autor de A Capital Federal e 99,5% da população de um modo geral nem nunca ouviu falar sobre o indivíduo".

Ubiratan Teixeira, escritor maranhense.

A citação acima de nosso conterrâneo e talentoso escritor foi retirada de um recente artigo jornalístico. E ela nos leva a pensar sobre um problema sério, mas de real solução: A ignorância sobre a obra e pessoa de Artur Azevedo por grande parte de nosso povo.

Como isso é possível?

Não sei ao certo, mas algo ficou claro aos meus olhos. Artur Azevedo precisa ser conhecido. Não para o seu bem ou a sua glória. Isso ele já conquistou e ninguém há de tirá-la. Ele deve ser conhecido para o nosso próprio bem, para o bem da cultura brasileira. Suas peças, contos e crônicas são de uma atualidade impressionante. Elas ensinam, fortalecem e propiciam o crescimento de qualquer um que as lê.

É certo que por "conhecido" refiro-me a não somente saber o seu nome. O belo Teatro na rua do sol já faz isso muito bem.

Conhecê-lo é ler seus textos, estudá-los, transmiti-los a outras pessoas. Principalmente às gerações mais novas. Como educadores que somos, temos não só o desejo mas até mesmo a obrigação de assim fazer.E num País e Estado, onde pouco se valoriza o que é nosso, da terra, Artur Azevedo deve ser visto como aquilo que ele sempre foi e o é para os poucos que têm acesso aos seus escritos: um patrimônio literário nacional. Não é apenas para ser celebrado, lembrado. Deve ser, principalmente, lido. È a leitura daquilo que ele escreveu que vai nos ajudar a tornar sua memória sempre-viva e presente, não só no seu centenário de ida para a eternidade, mas todos os dias.

Enfim, o mais adequado não é perguntar "O quê fazer com Artur Azevedo?".

Mas sim, "O quê Artur Azevedo pode fazer por nós?".

As Palavras voam. Os Escritos permanecem.

Verba volant, Scripta manet – As palavras voam, os escritos permanecem.

O provérbio latino acima, retirado de um dos inúmeros contos do versátil Artur Azevedo, sintetiza o imenso valor literário e histórico dos textos produzidos pelo mesmo.
As Letras brasileiras, e não só as maranhenses, foram agraciadas pela presença deste ilustre teatrólogo, contista, poeta, jornalista e (por que não?) conhecedor como poucos da alma e costumes dos homens de sua época.
E da nossa também, uma vez que seus escritos permanecem atuais.
O leitor de Azevedo se vê no decorrer do texto lido. E levando em conta que o país, de lá pra cá, descontando-se as devidas peculiaridades temporais, continua o mesmo em essência, é possível entender essa atualidade. Quantas "Lolas", "Eusébios" e "Lourenços" não há por aí, e não só na "Capital Federal", mas em cada canto desta nação? E o drama vivido em "O Escravocrata", apesar das leis abolicionistas, reflete ainda na vida de muitos brasileiros, negros e brancos, sob a pesada carga do trabalho escravo moderno. Mas há também a malandragem inócua(?) do Borba, a persistência do apaixonado Isaías e seus divertidos anexins, a esperteza do pacífico boticário que com uma singela pílula resolveu um possível conflito de morte.
Isso é Artur Azevedo.
O Brasil é Artur Azevedo. Em todos os contos, artigos, poemas e peças.
E ainda que para alguns o autor não seja um Machado nas Letras, Artur construiu com sua brilhante pena pilares literários críticos, cômicos, azedos e de igual quilate ou até mais do que os do bruxo do Cosme velho.
Textos que ontem e hoje fazem o Brasil pensar, chorar e rir de si mesmo.

Chinismo!

O Mundo abriu os olhos em direção a China não fez o mesmo. Acabaram-se as Olimpíadas e uma pergunta ficou no ar: Valeu a pena?
Se o objetivo era mostrar superioridade no campo desportivo e ostentar um invejável poderio econômico, as Olimpíadas valeram e muito. Mas e o tão celebrado "espírito olímpico?" Ele consegue resistir aos diversos ataques aos direitos humanos cometidos pelo governo chinês? Exploração de mão-de-obra operária, a ocupação e opressão ao Tibete, a "muralha chinesa" sobre a Internet e outros meios de comunicação, tudo isso nos leva a questionar o valor dos jogos de Pequim. Afinal de contas, suprimir a liberdade em troca de um show para ficar na história é o preço a se pagar?
Essa é uma questão a se pensar.
Os jogos olímpicos já foram usados como bandeira política no passado, mas o último foi mais do que isso. O que incomoda mais é a atitude conivente, passiva, das grandes potências. Tudo pela oportunidade de lucros avantajados no mercado chinês, que abriu-se sorridente para o Capitalismo.
Isso é cinismo.
No mais alto grau. E com consequências sérias. Não só para um país, mas para a humanidade.

O Lobo mau não anda nas florestas!

"Sabe quem está falando?"
Espere um pouco! A frase está meio desatualizada. Vamos modernizá-la.
"Sabe quem está teclando?"
O Mundo mudou. E a comunicação entre as pessoas também.
Tornou-se mais impessoal. No apertar de uma tecla. O problema é não saber quem está do outro lado. Não saber quem está falando de verdade.
Nos últimos anos, os crimes via Internet cresceram de forma assustadora. Vivemos a onda do relacionamento digital. Amaldiçoados sejam os que não têm perfil no Orkut. Que sejam banidos os pobres-coitados que não usam o Msn. O analfabetismo digital virou uma praga a ser combatida.
E por causa disso, as portas de nossas casas podem estar abertas para visitantes indesejados.
É como a velha fábula da "Chapéuzinho Vermelho" transportada para o século atual. Apesar dos constantes avisos, ela insiste em ir pelo caminho da floresta. Entretanto, em nossos dias, os "Lobos" não habitam a selva.
Estão on line.
E podem ser detidos através do toque em uma tecla. Por mãos conscientes e mentes pensantes.

O Futuro no/do presente.

Nosso futuro até pode ser incerto.
Mas é construído por meio de nossas ações do presente.
Uma virada pra esquerda em vez da direita. Uma escolha tomada em vez de outra. Um caminho trilhado em vez de outro. São pequenas ações que podem fazer a diferença no futuro que teremos pela frente.
Mas como tomar decisões certas? Como saber se elas são as melhores possíveis?
Eis o problema! Não sabemos!
Não podemos saber até que as consequências nos atinjam. E cabe a nós, o difícil peso de tomar decisões. E independente da idade, elas sempre são difíceis. Podem mudar o rumo de nossas vidas ou mantê-las em um destino já estabelecido.
Espere um pouco! Já estabelecido?
Essa é a grande questão a se pensar. Podemos interferir no futuro ou tudo já está traçado e somos atores vivendo uma peça escrita?
Seja como for, uma coisa é certa: toda ação possui uma reação equivalente.
Por isso é importante pensar antes de agir. Pensar não só no agora, mas no depois.
E ao reconhecer um erro no caminho, tenha humildade e força de vontade, não para tentar apagar o que está errado, mas para corrigi-lo.

As Prateleiras do Mercado.

Somos produtos no mercado.
Eles se aproximam. Olham pra nós. Analisam a embalagem. E nos levam embora.
Assim é no Mercado de Trabalho.
Sempre cismei com essa expressão. "Mercado de Trabalho". Na minha mente vem a imagem de imensas prateleiras, carregadas de produtos. Todos com alta qualidade e preparados para o consumo. Todos à espera de compradores.
Mas minha cisma não adianta muito. Também faço parte deste mercado. O que incomoda é ser um "produto". Produtos não têm vida. Não têm sonhos. Não têm um futuro. São utéis até o momento em que cumprem sua função. Depois são descartados. Trocados por outros.
Como educadores que somos nossa função é orientar as novas gerações. Prepará-las para a vida futura. Não são "produtos" em potencial. São pessoas que ensinadas de modo adequado, humanitário, farão parte da sociedade como agentes modificadores e não somente produtos em uma prateleira.
Educação para a vida deve ser prioridade em nossas escolas. Ensinar o valor da honestidade, da solidariedade, do amor ao próximo é fundamental para uma visão de vida mais afinada com o mundo que queremos. Ou deveríamos querer.
Entretanto, é interessante notar como somos levados a pensar de outro modo. Desde pequenos, a visão do "cada um por si" é jogada para nós. Ajudar o colega ao lado? Nem pensar! Ele é meu concorrente e pode pegar meu lugar.
É disso que estamos falando. Essa visão movida pelo modo de produção capitalista transforma todos nós em adversários uns dos outros.
Só o Mercado é que sai ganhando desse modo. As pessoas não.
Infelizmente, as prateleiras do Mercado sempre vão existir. E você sempre será visto como um produto à disposição.
Porém, a vida é muito mais do que isso.
E você é muito mais do que uma mercadoria à venda nesse imenso Mercado que nos cerca.

Sem anos de solidão.

Em um ato de sincera admiração, tomei emprestado o título da obra do fantástico Gabriel García Marquez. Uma simples troca de letra vai servir. García Marquez contou a envolvente saga da família Buendía. E ganhou um Nobel por isso. Minhas pretensões são menores, é claro. Mas o empréstimo serve para pensarmos sobre nossa vida em sociedade.
Há uma reclamação constante em nosso meio. A de sentir-se só apesar da grande multidão ao lado. A solidão é um mal que acomete sem fazer distinção de idade ou classe social. É estimulada pelo individualismo crescente dos nossos tempos. É o "cada um por si" que não consegue mais satisfazer nosso desejo interior de estar junto ao outro. Todos temos essa carência do próximo. A tecnologia atual, por mais contraditório que possa parecer, pode acabar por separar em vez de nos unir.
Nada deve substituir o toque, o ver nos olhos, o abraçar alguém. Isso é estar vivo. É viver. É vida.
E a vida é pra ser vivida na coletividade. E sem anos de solidão.

O homem dentro do sistema.

E aí? Capitalismo ou Socialismo? Com quem você vai?
Olha que a disputa é antiga. De um lado os amantes do Capital. Do outro, os sonhadores defensores do bem comum.
Mas quem matou mais?
É difícil contabilizar. Ambos, "capitalistas" e "socialistas" são culpados por uma longa lista de genocídios, de forma direta ou indireta. E quem matou não foram as idéias. Foram os homens por trás delas.
Idéias são abstratas. Não podem ferir. Homens, ao contrário, matam idéias. E pessoas também.
Acredito no Socialismo. Não na tentativa ditatorial da Ex-União Soviética ou do absurdo do governo Chinês. Creio no valor das idéias socialistas de Marx e outros que sonharam e sonham com um mundo mais justo, igualitário. Ainda que nenhuma nação tenha conseguido colocá-la em prática, a visão socialista é possível.
Por outro lado, há necessidade do Capitalismo. Não o selvagem, descontrolado do nosso tempo atual. Mas sim, o equilibrado, que gere competição igualitária. Embora alguns achem que isso é impossível.
Ao meu ver, o problema está no homem. Ele é o problema.
O homem dentro do sistema( qualquer um dos dois) é que comete atrocidades que chocam a todos. Por isso que mudar o modo de produção do país não adianta enquanto não se muda os homens por trás dele.
É até irônico ver os dois lados disputando pra ver quem é o melhor. Ou o pior. Mas no final das contas, são todos iguais. Somos todos iguais. Com nossas dores e amores. Sonhos e temores.
E vemos a imagem do oposto refletida em nosso espelho.

Não quero virar estatística!

Números. Estamos cercados de números por toda parte.
E eles não são nada animadores.
O trabalho infantil cresce assustadoramente. Milhões de crianças ainda estão fora dos bancos escolares. E a violência de nossas grandes cidades assemelha-se a de países que vivem em constante guerra civil. Tudo isso pode ser resumido em números. Números que mostram a dura realidade brasileira
Mas eu não quero virar estatística. Ninguém quer.
Estatísticas são frias, desumanas até. São números que representam vidas, que por alguma razão, forma encurtadas. Por trás de cada algarismo, há uma história de vida.
É interessante notar que não percebemos isso. Olhamos para os números e só vemos... números!
Algo até compreensível dada a falta de sensibilidade dos nossos tempos modernos.
Mas vejam só a história de Roberto. Um jovem pai de família. Trabalhador honesto. Cumpridor de seus deveres cívicos. Morto por uma bala perdida.
Roberto tinha uma vida, uma história. Virou um número. Mais um componente de uma enorme lista ( que cresce a cada dia) que mostra o tamanho do caos da violência no país.
E Roberto vai continuar sendo um número, até o momento que você se aproxima e vê as coisas mais de perto. E descobre as vidas por trás dos números.
Eu não quero virar estatística.
Mas sei que sou sujeito a ser uma, enquanto os governantes desta Nação continuarem a tratar o povo como números de uma lista. Lista bastante usada em épocas eleitorais para manipular a massa de votantes desconhecedores da própria realidade que os cercam.
Realidade que transmutada em números revela quão dura é a vida em um país em que pessoas nada mais são do que futuras estatísticas.

Será que ele é??? E se for, muda alguma coisa???

Sabe aquele talentoso galã da novela das oito? O cara corta dos dois lados
E aquele carismático apresentador da TV? Descobriram recentemente que ele é muito "delicado".
Sim, mas e daí?
Desde quando opção sexual interfere na capacitação profissional ou no talento de alguém?
Sabemos que não. Porém o que mais se vê é esta associação equivocada.
E isso tem nome: preconceito. Que se não for contido, vira homofobia. O que independentemente da crença religiosa não é algo bom
O preconceito sexual é apenas mais uma faceta de um velho problema da humanidade : a falta de tolerância para o que é diferente .
Sempre defendemos uma bandeira. A bandeira do respeito para com tudo e para com todos.
E respeitar não é necessariamente concordar. Mas sim procurar entender quem pensa ou age diferente de nós.
A intolerância manda que minha crença, meu modo de pensar sejam impostos a todos. O bom senso ensina que o Outro tem direito de pensar diferente de mim e eu tenho o dever de respeitar esse direito.
E por mais difícil que seja para alguns aceitarem este fato, não somos Deus. Somos criação dEle. Todos nós.
E cabe a Ele julga o que fizemos ou deixamos de fazer

A Prova não prova... mas aprova. E reprova!

Começou a temporada de caça. Caça às notas.
E é cada um por si e a "pesca por todos. Ao menos, é assim que funciona na maioria das escolas.
Por quê?
Não é complicado achar uma resposta. Quando a Educação("trazer para fora") é trocada pelo ensino("de fora para dentro"), o que fica é a sensação do Não-Saber. Não sabendo, você abraça a decoreba. Decoreba que é descartável, limitada e que não desenvolve a mente.
Ela rende aprovação, mas não traz conhecimento.
Entretanto quem está preocupado em obter conhecimento? O que importa é a nota! Você nota?
Compreende o que permanece por trás dessa maneira de pensar, de ensinar?
Essa prática gera "alunos", pessoas sem luz que precisam de notas padronizadas por um sistema educacional para se sentirem completos.
Entenda bem. O problema em si não é a prática da avaliação, mas a maneira como ela é encarada por professores e alunos. Ela não deve ser tábua de salvação para os estudantes e nem deve ser instrumento de punição para o professor usar no controle da turma.
Ela é parte de um processo educacional realizado diariamente na sala de aula.
Não deveria existir um "tempo de provas". Essa prática só condiciona as pessoas a serem "alunos". Pense um pouco e liberte-se da "tirania das notas".
Tenha cada aula como uma oportunidade de crescimento e os resultados esperados virão como consequência.
Enquanto uma mudança da atitude não acontecer, provas irão continuar aprovando, reprovando e condicionando. Fazendo com que você tire "dez" e coloque "zero" no tão precioso depósito, que é sua mente.

Por alguns segundos apenas.

Hoje, me sinto bastante incomodado.
Um aluno, geralmente maduro e com cabeça no lugar, cometeu um erro que poderia ter consequências maiores não fosse a provisão de Deus.
E o que me incomodou não foi o erro em si, já que como somos humanos somos sujeitos a cometê-los. O que mexeu comigo foi a fração de segundos em que uma decisão errada é tomada e as consequências que advêm dela. O que aconteceu com o menino citado acima é apenas uma prova de que ações impulsivas podem trazer problemas a todos. E tudo em segundos apenas.
Deixamos que as emoções tomem conta, substituímos a razão e pronto. Erro cometido, mas que poderia ser evitado.
Hoje, um problema maior foi evitado, mas quem garante que amanhã vai ser assim?
Nossa geração é estimulada a violência constante, quer por filmes, quer por desenhos ou quaisquer outros programas de televisão. E o que nós, Pais e Educadores, fazemos? Ou devemos fazer?
Ficar parados observando a vida passar? Lamentar a atitude perniciosa de nossa juventude? Ou simplesmente lavar as mãos?
Penso de outro modo.
Ensino adolescentes na faixa dos 12 aos 15 anos e sei que eles podem gerar resultados excelentes se forem estimulados a tanto. Podem fazer maravilhas se forem bem orientados. Mas também são capazes de atos terríveis, como qualquer outro ser humano , se forem deixados sem orientação, sem um guia para direcionar a vida. Daí, a grande importância do diálogo. Especialmente, nessa faixa de idade. É através do diálogo que podemos resolver diferenças, construir caminhos, quebrar barreiras. Há muitos meninos e meninas por aí que só esperam uma oportunidade para falar, para ouvir. Para sentir-se amado ou amada.
Crianças que são amadas geram tornam-se adultos amorosos. E isso é fato comprovado.
Conversando com meu aluno, deu pra perceber aquele brilho nos olhos típico de alguém arrependido, mas com dificuldade de reconhecer o erro. E naquele momento, uma convicção veio em minha mente: eu amo o ensino. É por isso que sou um educador. O salário nunca vai ser dos melhores, mas não há dinheiro no mundo que pague a sensação de ajudar alguém, de dar apoio a alguém. De mostrar que sempre existe uma outra opção, além daquela que nos é mostrada pela sociedade desigual em que estamos inseridos.
Acredito que meu querido amigo aprendeu uma lição hoje. Talvez seja difícil colocá-la em prática, mas o crescimento humano começa pela conscientização do que nós somos e do que podemos ser. E alguns segundos podem fazer a diferença, mas também podem ser a linha divisória entre a imaturidade e o amadurecimento.
Que Deus abençõe para que o segundo sempre reine sobre a primeira.

Passa o cartão?

Uma coisa é certa sobre o Desgoverno Lula: sempre haverá um escândalo para estampar as capas dos jornais. No último, o abuso do cartão de crédito corporativo, caiu mais uma ministra. Assim como caiu a capa de " ética " usada pelo governo.
Ainda que o mau uso do dinheiro público por parte dos nossos representantes não seja novidade ou exclusividade da gestão atual, o que espanta é a facilidade em se arranjar desculpas para justificar os gastos excessivos.
Entretanto, com tanta miséria espalhada pelo país, causa revolta perceber o grande volume de dinheiro gasto em "despesas públicas" que não trazem benefício algum à população.
E o povo?
O povo tem que se contentar com o "Bolsa - Esmola".
Se uma atitude séria não for tomada por órgãos responsáveis pela fiscalização do uso indevido do dinheiro público, muitos cartões continuarão passando. E levando com eles a possibilidade de vida melhor para muitos.

Perdendo a piada.

Por que razão fazemos piada de tudo e de todos? Existe algum problema no tipo de humor sarcástico e de conotação sexual praticado nos programas brasileiros? E afinal de contas, é melhor perder o amigo, mas não perder a piada?
Se levarmos em conta as mazelas do país, não haveria motivos pra tanto riso. Entretanto, o humor funciona como uma válvula de escape ao justificar a tese de que " o brasileiro rir de suas próprias desgraças".
No entanto, isso não valida as piadas preconceituosas e imorais usadas para sustentar audiência. Ao zombarmos dos outros por causa de suas características, origem ou opção sexual, deixamos de lado o amor ao próximo, o respeito ao próximo.
Por essa razão, é melhor perder a piada.
O humor sadio faz bem ao corpo, a alma e não humilha ou alimenta idéias absurdas originadas no processo colonizador que ainda sofremos.
E desta triste realidade não dá vontade de rir.

Um Eduardo, Outra Mônica.

Eduardo abriu os olhos.
E dessa vez, quis logo se levantar.Não aguentava mais as loucuras da Mônica. No começo era tudo flores. Mas não avisaram dos espinhos. Os filhos já haviam crescido, os peitos já haviam caído. Onde estava aquela Mônica que tanto o encantou? Hoje era só reclamação pra cá, queixas pra lá. Nunca mais houve festa estranha com gente esquisita. Pensava em algo pra mudar a situação.
Enquanto isso, Mônica desistiu de tomar outro conhaque. Ele não ia ajudar mesmo. Seu príncipe tinha virado um sapo. Barrigudo, careca. O que fizeram com seu Eduardo? Trocaram-no por um sujeitinho mal-humorado, ranzinza. Ele nunca foi um exemplo de romantismo, mas piorou com o passar dos anos. Os gêmeos, já crescidos, eram a única certeza de felicidade que lhe restava. Pensava se ainda queria manter essa situação.
"E quem irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?." Essa frase não saia da cabeça de Eduardo. Apaixonou-se muito cedo. Era tão novo, inexperiente. Deixou-se levar pelo coração. Queria poder voltar ao tempo do futebol de botão com seu avô. Tá certo que o relacionamento teve momentos maravilhosos, mas parece que eles desapareceram numa avalanche de situações ruins do cotidiano. Eram diferentes demais. Como água e óleo, não se encaixavam. Mas então, por que tanto tempo juntos?
"E quem irá dizer que não existe razão?" Mônica repetia para si essa frase. Sempre teve a cabeça no lugar. Mas ao conhecer Eduardo, a emoção tomou conta de si. Não eram nada parecidos, mas todos diziam que ele completa ela e vice-versa, que nem feijão com arroz. E foi isso que manteve a união durante tanto tempo. E hoje ela se pergunta se valeu a pena.
Eduardo a olhou. Foi sincero e direto. A relação chegou ao fim e não adiantava ficar enganando a ambos. O divórcio os esperava.
Mônica o ouviu. Aprovou a sinceridade dele. Pensava o mesmo. Era melhor acabar aqui enquanto ainda podiam guardar boas lembranças de ambos.
O tempo passou. Renato compôs a música.
Eduardo a ouviu em um dos momentos em que curtia sua recente solteirice. Primeiro, achou engraçado. " Que coincidência", pensou. Em seguida, refletiu em sua própria história vivida até aqui. Estava querendo enganar a quem? Algo estava faltando. E sabia o que era. Resolveu agir. Qual o número dela mesmo?
Mônica estava espantada. Acabara de ouvir sua história musicada. Pensou na decisão que havia tomado. E não estava conseguindo enganar a ninguém. Sentia falta do seu oposto indispensável. E iria lutar pra tê-lo de novo. Custe o que custar.
O telefone tocou.
Era Eduardo.

São humanos com nossos direitos?

Odeio ter idéias atrasadas.
Rasgar a Constituição é uma delas. Quando pensei em fazer, nossos representantes fizeram na minha frente. Nem esse direito eu tenho.
É triste comprovar que somos uma terra sem leis. Já é até banal falar na violência das cidades. João Hélio e João Gabriel viraram marcas no coração do Brasil. Um país que não consegue cuidar do seu próprio futuro.
Quando sabemos das últimas notícias, uma onda de comoção nos atinge. E surte pouco efeito. A próxima tragédia vai nos abalar mais ainda. Vamos chorar, reclamar, dizer " como isso pôde acontecer?" E depois voltaremos ao mesmo ponto estático a que nos acostumamos.
O Brasil é assim.
Até no mais inóspito recanto do país, há uma sensação de insegurança, real e assustadora. E não existe dinheiro que traga de volta as vidas levadas pela violência.
Seria fácil colocar a culpa em nosso corrupto presidente e seus aliados interesseiros. Eles são culpados, mas foram colocados lá pelo voto popular. O mesmo povo que fica a mercê dos bandidos sem ternos, enquanto os engravatados estão seguros atrás dos muros de suas mansões.
É meio repetitivo afirmar isso, mas tudo começa no contexto político. A bagunça social que reina em nosso país teve origem lá. E a solução também.
O problema é que a massa de eleitores não tá nem aí pra isso. E o comércio eleitoral faz a festa nessa época do ano. Tudo isso porque em uma nação tão carente, física e emocionalmente, não se dá valor ao voto. Ele é moeda de troca. Vale uma sandália, uma cesta básica ou um cargo comissionado no próximo governo.
Assim é o Brasil.
A Constituição, que foi rasgada, garante uma montanha de benefícios aos cidadãos. Nenhum deles à disposição na prática.
Não são humanos com nossos direitos.
Na verdade, nem sei ao certo se são humanos.

E se Jesus comesse farinha seca?

José andava escabriado.
Maria tinha embuchado, mas o pobre coitado nem sequer ralou nela. Temendo pela vida, resolveu fugir pra não sentir o facão do pai da jovem. Antes disso, um cordel de anjos entrou na história.
" Ô, Zé! Se avexe não
O Sinhô tem um plano maior
Junte os trapos com Maria e jamais a deixe só."
E assim vingou Jesus no mundo. Era um bagurizinho singelo. Pele escura, queimada pelo sol. Olhos negros como a noite. Acostumado a beber leite de cabra, cresceu regado a muito camarão e arroz de cuxá. Mas também conheceu a dureza da vida sertaneja. Era um menino da roça , do arado. Manejava uma enxada como ninguém. Mas valia a pena, pois no final do dia uma piaba com farinha seca o esperava.
Enquanto crescia, se revoltava contra as misérias do sertão. Era tanta gente sofrida nesse chão, que não parava em casa. Saía por aí. Ajudando um aqui, outro acolá. Diziam que tinha uma mão santa. E não é que era mesmo? A fama correu pela região e vinha gente de longe só para vê-lo.
Já homem feito, resolveu escolher uns cabras bons para ajudá-lo. Tudo gente da terra e acostumados ao serviço. Apesar da pouca instrução, era habilidoso na palavra. Como todo nordestino, adorava contar causos. E neles mostrava todo o amor do Sinhô por esse povo sofrido.
Entretanto, O Tinhoso, O Coisa-Ruim tentou tirar Jesus do trabalho. Não deu nem pro cheiro. Jesus, o legítimo Filho do Santo, botou o Tinhoso para correr.
Eita, cabra arretado, esse Jesus!
E por isso, ele começou a incomodar.
Os coronéis da região, poderosos em dinheiro, resolveram calar Jesus. Sabiam que não dava pra comprá-lo. Decidiram passar a pexera nele, mas tudo dentro da lei.
Compraram o apoio do líder religioso da cidade e acusaram Jesus de "revolucionário", "revoltado".
E realmente, Jesus era isso. Ficava revoltado em ver tanta criança morrendo de fome, tanto político roubando dinheiro público, tanta miséria em uma terra tão produtiva. Mas, enfim, como você já sabe, ele foi preso, "julgado", condenado. Vitorioso sobre a morte, ressuscitou ao terceiro dia.
E pra alguns, virou ícone da cultura pop. Ficou loiro, adquiriu belos olhos claros, um perfil europeu estampado em vários lugares desde a idade média. Ficou "elitizado".
Tentaram tirar do Cristo o perfil de homem do povo e popularizar sua imagem burquesa.
Não deu certo.
Quer na região árida da Palestina, quer no sertão nordestino, Jesus sempre será um revolucionário, homem do povo que veio para todos. Sem distinção.
Ainda mais no Brasil. Tão cheio de fé. E, às vezes, na pessoa errada.

Com o dinheiro de Deus.

Há uma maldição na minha vida.
Que está minando minhas finanças e impedindo minha prosperidade.
Pelo menos é o que diz o tele-evangelista. O "devorador" consome tudo o que produzo porque sou infiel. Não importam minhas idas dominicais à Igreja ou minhas tentativas de ser um bom moço. Meu bolso precisa se exorcizado e devo deixar minhas riquezas terrenas e entregá-las à Igreja.
(Opa! Desculpa!). Entregá-las à Deus.
Mas o quê Deus vai fazer com elas?
Nada.O Real não vale no céu. Mas os representantes de Deus vão saber santificar meu dinheirinho imundo. E haja investimento eclesiástico. E pastoral também. Afinal de contas, um homem de Deus deve andar bem vestido, alinhado. E ficaria difícil se ocupar em apascentar as ovelhas, se o líder estivesse preocupado com suas finanças caseiras, particulares.
Ora, Deus é o dono de toda riqueza da Terra, logo seus filhos também o são. Pena que sua prole é pequena já que há tamanha miséria no mundo. Mas, a Igreja tem que se manter em um patamar acima disso. Templos suntuosos devem ser erguidos para refletir a glória do Todo-Poderoso. E é preciso enxergar a bênção antes que ela se concretize , fazendo uma oferta financeira proporcional a quantidade de delitos praticados.
Hum... já vi vou gastar muito.
Até pensei em conversar com o evangelista da TV, mas desistir. Deus o enviou em uma viagem missionária para Miami com todas as despesas pagas e direito a acompanhantes. Tudo pra ajudar pessoas mais necessitadas.
Miami...
Acho que perdendo tempo no magistério.
Será que ainda há vagas para tele-evangelistas?

Mais desculpas... para mais pessoas!

Desculpas.
Foi com essa palavra que o secretário de segurança do Rio de Janeiro se dirigiu à família do pequeno João.
Desculpas.
Como se o simples pronunciar da palavra pudesse transformar a situação e amenizar a dor da perda. É certo que não foi o secretário que apontou a arma que vitimou o garoto. Nem tampouco o governador. Mas o que acontece nas grandes cidades brasileiras é resultado direto de anos de políticas públicas mal-direcionadas na área de segurança. Por causa da omissão dos governos de hoje e de ontem, temos o caos do momento. E o que mais incomoda não é isso.
O que mais incomoda, o que mais dói é ver a angústia de alguém que foi marcado pela violência. O sentimento de impotência diante de uma situação inesperada, trágica.
Não adianta pedir desculpas. É preciso mais. Uma polícia despreparada só vai perpetuar barbaridades como as cometidas recentemente. Quantas vidas terão que ser perdidas até que algo seja feito de concreto?
Recentemente, o filme "Tropa de Elite" trouxe a truculência policial para a pauta do dia. Muito se falou, muito se discutiu sobre os métodos aplicados pela polícia no combate ao crime. Tanta violência foi tão estimulada que aos olhos de alguns virou um mal necessário.
Os policiais que mataram o pequeno João agiram como se estivessem em um seriado policial, atirando primeiro e nem sequer dando uma oportunidade pra qualquer rendição ou indagação. Eles são um reflexo de como é a segurança pública no Brasil.
E o governo vem com um papo de "desculpas?"
Não dá pra aceitá-las!
Resta a mais uma família brasileira enlutada tentar se reerguer, recomeçar a vida, ainda que imersa na saudade do anjinho que foi tirado de forma absurda do nosso convívio.
E a nós, resta-nos o desabafo de um pai, que mesmo no auge da dor, soube encontrar forças para deixar-nos uma lição:

" Ninguém tem o direito de matar ninguém. O Estado não tem carta-branca pra matar ninguém. Aqui não tem pena de morte. Se esta instituição está falida, vamos melhorar a instituição, mas não botar um monstro na rua pra matar a gente".

Sábias e comoventes palavras.
Esperamos que as autoridades competentes(?) as tenham ouvido.

Fragmentos de uma campanha ( O passo a passo de um canalha)

15 de Janeiro de 2008.

Começam os preparativos pra campanha. Meu grupo de aliados confia sinceramente em mim. E eu não confio nem um pouco neles. São um bando de oportunistas, querendo uma fatia do meu bolo. Vou deixar que pensem que estamos do mesmo lado. O meu lado.

27 de Fevereiro de 2008.

Reunião para arrecadação de fundos. Os empresários da região fizeram generosas doações. Terei que recompensá-los durante minha gestão. Faço um caixa-dois para minhas próprias necessidades pessoais. Aproveito para ampliar a piscina da minha casa de praia.

30 de Abril de 2008.

Apesar de ser um ateu convicto, dou a palavra em alguns cultos evangélicos. Penso em colocar um pastor como vice. É bom pra imagem. E se o outro lá conseguiu por que eu não?
Faço enormes sacrifícios para a campanha. Hoje tive que abraçar um bando de crianças pobres, feias e barrigudas. Deviam estar cheias de lombrigas. Ainda bem que tenho desinfetante em casa.

26 de Junho de 2008.

Defendo publicamente a candidatura do meu sobrinho à câmara municipal. A oposição acusa-o de oportunista. Dizem que ele não conhece o município. E é verdade mesmo. E desde quando é preciso conhecer algo para legislar?
Bem, minha campanha segue em frente. Já tenho até grupos de orações a meu favor. Esses crentes não são maravilhosos?

18 de Agosto de 2008.

Meu primeiro comício foi um sucesso. Os militantes levantaram bandeiras e bateram palmas a cada palavra que eu dizia. Também, com 10 reais por dia, se for preciso quero até que beijem minhas mãos. Estou gastando muito na campanha. Vou repor tudo desviando verbas durante meu governo. Se alguém desconfiar, faço como Lula: não vejo nada, não sei de nada. E imito cara de pobre.

29 de Setembro de 2008.

A campanha chega ao auge. Entretanto pesadas denúncias de compra de votos caem sobre minha pessoa. O partido sai em minha defesa. Com um pouco de lábia e marketing, o caso é abafado. Sigo vitorioso para o dia da eleição. E com tantos laranjas bancados por mim, essa não tem pra ninguém.
Obs: Por via das dúvidas, devo lembrar de desenterrar algum podre do meu adversário e colocar em exposição no jornal da cidade.

05 de Outubro de 2008.

Sou carregado pelas ruas do município por um grupo de eleitores felizes e esperançosos. Minha vitória foi esmagadora. Passo pelos comitês dos meus adversários rindo à toa e soltando rojões. Já planejo a compra dos vereadores da nova Câmara. Gastarei uma grana, mas será um investimento seguro já que a chave dos cofres públicos ficará comigo.
Mas nada de moleza não! A partir de amanhã, começo a construir a base para minha campanha ao governo do Estado. E quem sabe no futuro, à presidência.
Lula conseguiu, eu consigo também. Temos cara-de -pau, os pobres nos amam e amamos incondicionalmente o poder. Mas em uma coisa eu o supero.
Tenho um dedo a mais.

E eles é que são os mocinhos?!

Foi-se o tempo em que para alavancar a audiência de um programa ou para lucrar em cima de uma película apelava-se para tórridas cenas de sexo. Todo mundo topava agüentar alguns minutos de trama desconexa, se ao final , fosse recompensado ao ver os "dotes artísticos" da siliconada da vez. Mas isso é passado. O carro-chefe de nossa cultura de entretenimento atual é a realidade nua, crua e violenta. Com bastante ênfase na violência. Quanto mais sangue, balas perdidas, crueldades dignas do inferno e sangue( novamente) aparecerem melhor. Melhor para os cofres dos produtores, é claro.
E entre tantas realistas-oportunistas, ainda dá pra achar uma pérola que vale a pena o valor da entrada e as quase duas horas dedicadas para assisti-la. Refiro-me a "Tropa de Elite" do diretor José Padilha ( autor do também ótimo "Ônibus 174". Assista se puder).
O filme virou um fenômeno, não só pelo elenco afiado, mas por trazer o BOPE para a boca do povo, ao mostrar policiais que primam pela honestidade e combatem a violência absurda dos morros cariocas com mais violência ainda.
E há algum mal nisso?
Vivemos em um mundo nem branco, nem preto. Mas cinza. Assim como no filme, é difícil definir quem é mocinho e quem é bandido se ambos usam os mesmos métodos. É claro que a violência não deve ser combatida com flores, mas até quando vai prevalecer no país a lei do "atire primeiro, pergunte depois?"
É fácil para nós olharmos as ações duras da polícia e aplaudirmos de pé. Não vivemos essa realidade. Agora, pergunte a algum morador de favela carioca ou de comunidade carente de qualquer parte do país, que já foi vítima de violência policial ou de bala perdida, o que ele acha do método " violência contra violência."
É preocupante perceber que boa parte dos nossos jovens estão inseridos de tal modo nesse contexto que transformaram o símbolo do BOPE em um dos mais copiados da internet.
Estamos perdendo a guerra contra a violência , uma vez que cedemos a ela. É preciso fazer algo para transformar essa realidade. Ações práticas e não atitudes utópicas. Passeatas pela paz chamam atenção, mas são de pouca utilidade. O que vale mesmo é a união popular pela cobrança de políticas públicas por parte de nossos governantes.
É por aí que a mudança se origina. Sem falar que a Educação deve virar prioridade em cada canto deste país. E falamos de um processo educacional contínuo que estimule a crítica, a produção de pensamento livre, sem amarras ou alienações do sistema desigual em que estamos inseridos.
E quando assistir a "Tropa de Elite", assista até o final. Ele não é um elogio a violência, mas sim uma constatação do quão cinza é o mundo ao nosso redor.

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Um cara indignado. Indignado pelo modo como nosso país é guiado, pela maneira como a sociedade é moldada. E disposto a fazer a minha parte para mudar o mundo.

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