Aquela velha opinião formada sobre tudo

Uma das coisas que mais gosto na vida é o debate. Sou viciado nele.
Se deixarem, fico falando por horas sem parar defendendo meu ponto de vista sobre algo. Por falar nisso, tenho a mania de querer dar uma opinião sobre tudo. Meus amigos, já sabedores disso, às vezes me deixam falando sozinho. Mas, o negócio mesmo é que eu gosto de falar e pronto!
Quando mais novo, era meio intransigente. Achava que já tinha idéias formadas sobre tudo. E as defendia com aquela paixão típica de adolescente. Ao crescer, fui conhecendo o poder da relatividade. Que até mesmo a absoluta verdade é relativa.
Isso a princípio me confundiu. Mas pouco a pouco, a mente foi abrindo. Descobri o valor da tolerância. No campo físico e no campo das idéias.
Já não queria mais ter aquela velha opinião formada sobre tudo. E essa postura me tornou uma pessoa um pouco mais sábia.
Então, veio o 11 de Setembro.
E junto com as Torres, caiu a máscara de tolerância que cobria o mundo.
É incrível como o medo faz brotar o que há de pior ou de melhor em nós. Para muitos, o medo do Terror fez fronteiras se fecharem e absurdos jamais imaginados acontecerem. Entretanto, o mesmo medo gerou uma reflexão em outros. reflexão sobre o que somos, o que podemos fazer para tornar o mundo um lugar melhor. E não só para nós, mas pra todos.
Nesta época tão conturbada, posições extremas devem ser evitadas.
Minha certeza de hoje pode ser a dúvida de amanhã. E esse processo evolutivo faz parte do crescimento humano. Ter opiniões é algo natural. Reconhecer que elas estão erradas e mudá-las também deveria ser.
O Raul já dizia que preferia ser essa "Metamorfose Ambulante". Ser capaz de mudar de opinião, de postura ao perceber que algo está errado.
Se todos pensassem assim, uma mudança iria ser sentida na sociedade.

Ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.
Raul sabia das coisas.

Uma mão lava a outra... mas ambas continuam sujas.

" O mundo é dos espertos, mas acho que não sou um deles"
( Machado de Alencar)

Recente pesquisa revelou que em cada quatro brasileiro, três admitem que praticariam algum ato de corrupção se tivessem oportunidade.
Vendo por esse ângulo dá pra entender porque somos campeões e,miséria, violência, prostituição e outros males.
Você não pode fugir desta verdade: a miséria só existe porque tem corrupção.
Criamos e divulgamos a idéia de que a esperteza é a chave de tudo. As pequenas corrupções praticadas no dia-a-dia alimentam um mal maior que afeta diretamente as classes mais pobres.
É verdade que no poder público tem gente que não presta, mas quem os colocou lá?
E minhas mãos? Estão sujas? Eu financio o comércio pirata? Sou desonesto na minha vida escolar, na minha casa, com meus amigos? Acredito que vale tudo para alcançar a vitória?
Com certeza, os fins não devem justificar os meios. O país está tão atolado em práticas corruptas, que ser honesto dá manchete em jornais. A corrupção mata silenciosamente e gradativamente. Ela te faz perceber que não existe outro meio de vencer, de ter o que você quer, a não ser através da trapaça, da mentira, do chamado "jeitinho brasileiro".
Entretanto, ainda há tempo de mudar, mudar a sociedade, mudar a si mesmo.
Caso contrário, não existirá água no mundo capaz de limpar a sujeira das suas mãos.

O pior do melhor.

Pense rápido! Quem são os melhores alunos da sua sala? Quem os rotulou de "melhores"? Você é um deles? Quer ser um deles?
Antes que você responda, medite um pouco na origem dos conceitos "melhor" ou " pior". O que torna uma coisa melhor do que a outra?
Quais os critérios usados para a construção do rótulo "melhor"?
Imagine que você possui uma caneta e é feliz com ela. Entretanto, vê o anúncio de um novo modelo com filmadora, com capacidade de tirar fotos digitalizadas e até mesmo com acesso rápido a Internet. Você percebe que o seu modelo é ultrapassado. Ainda escreve bem, mas o outro é "melhor".
Este conceito de melhor é sustentado pelo consumismo atual. Eu não preciso de outra caneta, mas sou levado a achar que o modelo "melhor" é indispensável para a minha vida.
Este mesmo conceito aplicado às pessoas é que vai gerar acepção e diferenciação.
Pense bem! Pra quem o professor vai dar mais atenção: para os melhores ou para os piores alunos? E você? Vai querer formar equipes de estudos com os melhores ou com os piores?
Percebeu o quanto somos preconceituosos?
A atitude adequada é olhar todos como iguais. E não somente agora, mas durante toda a vida.
E isso não é fácil. É preciso uma educação individual e uma vigilância constante.
Esse conceito de "melhor" é usado pelo sistema dominante para gerar exclusão e competição que na maioria das vezes é desigual.
A verdade é que não somos melhores.
Não existe melhor. Temos saberes diferentes que podem se tornar iguais.

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Um cara indignado. Indignado pelo modo como nosso país é guiado, pela maneira como a sociedade é moldada. E disposto a fazer a minha parte para mudar o mundo.

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