No reino do "Faz-de-conta-que-acontece" o caos havia se instalado. A rainha, temerosa em perder o trono, tratou logo de visitar os cantos mais remotos para mostrar aos seus fiéis súditos que o poder ainda estava em suas mãos. Montada em seu corcel, acompanhada de bajuladores e seguida pelo povo, ela ia triunfante. Era um abraço apertado aqui, um cheirinho nas crianças ali. Tudo transcorrendo conforme manda a cartilha do bom governante.
Mas, eis que de repente uma bomba é lançada: "Crianças do reino morrem por falta de assistência médica."
O múrmurio foi geral.
"Nossa! Como isso é possível?" era a pergunta recorrente nas ruas. "Onde estão as tendas médicas?" "Não há mais vagas?"
Furiosa, a rainha cobrou explicações do curandeiro chefe.
Entretanto, havia um ás na manga. O grande marqueteiro, aquele-que-tudo-sabe. O único que poderia criar uma mágica poderosa, capaz de ludibriar o povo e trazer a passividade ao reino.
E assim foi.
Telas mágicas foram espalhadas por todo reino e nelas belas imagens retratavam as ações da rainha em prol de seu povo.
E vejam só: O que o povo vê, o povo crê.
Uma onda de otimismo varreu todo reino. As pessoas cantavam nas ruas ( sem nem saber bem o porquê) levados pela mágica das telas.
Porém, nem tudo são flores neste mar de amores. Eis que o clichê dos clichês entra em cena: um grupo de rebeldes levanta-se contra a rainha.
"Cortem-lhe a cabeça" gritava a Poderosa enquanto a milícia real caçava os revoltosos. Os que não foram silenciados pelas balas foram trancafiados nos porões.
E para não haver mais problemas, dia e noite as telas mágicas reproduziam a mensagem real. E uma mentira contada diversas vezes acaba transfigurada em verdade.
Assim é o Maranhão. "A grande mentira".
Entretanto, pelo menos em uma coisa a rainha não mente: governar é cuidar do povo. Cuidar para que ele continue na ignorância, na miséria, na escravidão. É cuidar para que as chaves do reino nunca saiam do seu clã.
Exatamente como o papai ensinou. Em um imenso conto de fadas que não tem final feliz.
Ao menos por enquanto.
O múrmurio foi geral.
"Nossa! Como isso é possível?" era a pergunta recorrente nas ruas. "Onde estão as tendas médicas?" "Não há mais vagas?"
Furiosa, a rainha cobrou explicações do curandeiro chefe.
Não encontrando-as, foi taxativa em sua sentença: "Corte-lhem a cabeça!"
Quem dera fosse tão fácil assim resolver as coisas. Moedas do reino foram enviadas para acalmar a situação.Mas o mal já havia sido feito. Revoluções pipocavam pelo reino. O poder da rainha estava ameaçado.Entretanto, havia um ás na manga. O grande marqueteiro, aquele-que-tudo-sabe. O único que poderia criar uma mágica poderosa, capaz de ludibriar o povo e trazer a passividade ao reino.
E assim foi.
Telas mágicas foram espalhadas por todo reino e nelas belas imagens retratavam as ações da rainha em prol de seu povo.
E vejam só: O que o povo vê, o povo crê.
Uma onda de otimismo varreu todo reino. As pessoas cantavam nas ruas ( sem nem saber bem o porquê) levados pela mágica das telas.
Porém, nem tudo são flores neste mar de amores. Eis que o clichê dos clichês entra em cena: um grupo de rebeldes levanta-se contra a rainha.
"Cortem-lhe a cabeça" gritava a Poderosa enquanto a milícia real caçava os revoltosos. Os que não foram silenciados pelas balas foram trancafiados nos porões.
E para não haver mais problemas, dia e noite as telas mágicas reproduziam a mensagem real. E uma mentira contada diversas vezes acaba transfigurada em verdade.
Assim é o Maranhão. "A grande mentira".
Entretanto, pelo menos em uma coisa a rainha não mente: governar é cuidar do povo. Cuidar para que ele continue na ignorância, na miséria, na escravidão. É cuidar para que as chaves do reino nunca saiam do seu clã.
Exatamente como o papai ensinou. Em um imenso conto de fadas que não tem final feliz.
Ao menos por enquanto.
