Ir embora, sem nunca dizer adeus.

Milton tinha um sonho.
Uma vida melhor para sua família. Para sua amada esposa e seus adorados filhos. Exatamente como a maioria dos brasileiros trabalhadores e honestos do nosso país.
E ele lutou por esse sonho. As barreiras que surgiram foram vencidas. Os obstáculos foram ultrapassados. O sonho tomou uma forma concreta.
E muito mais vinha pela frente. Até que o inesperado aconteceu.
Na última vez que conversamos, seus olhos brilhavam de emoção. Era a reunião bimestral da Escola, e todos os elogios foram direcionados para Taynara e Erik, dois alunos maravilhosos, fontes de imenso orgulho dos pais. Eles são a concretização do sonho.
Milton foi embora, mas não disse adeus.
Não precisava, pois em essência ele ainda está aqui. Em cada sorriso de Erik. Em todas as atitudes de Taynara. Nas vitórias que ambos ainda vão alcançar. Esse é o grande legado do amor de um pai.
Sabemos que o "daqui pra frente" não vai ser fácil, mas Deus está presente em meio a dor, consolando, fortalecendo, carregando toda a família em seus braços de amor.
E ainda há muito do sonho a ser vivido.
Um sonho que começou com um pai e continuará em seus filhos.

Erik, Taynara, essa é pra vocês.
Palavras não vão fazer a saudade ou a dor irem embora, mas ajudam a suportá-las.
E a cada dia, que a lembrança do amor de Milton seja a força motivadora da vida abençoada que vocês têm pela frente.
Um forte abraço.

Como me tornei um serial killer ( E sem sujar minhas mãos!!!)

A primeira morte até que me chocou.
Mas depois a gente se acostuma. O negócio ruim é o vermelho. A cor do sangue. Ver ele respingando do corpo de alguém é algo meio traumático. Só que depois de tantos cadáveres, o sangue vira só mais um efeito, um complemento do show. E que show.
Me especializei nas mortes a sangue-frio. Vacilou comigo, o cara perde logo a cabeça. Ou então, eu crivo ele de balas. Se bem que gosto mesmo é de atropelá-los com meu carro. Vê-los sendo arrastados ou esmagados pelos pneus.
Alguns amigos, que compartilham do meu vício, dizem que sou craque em tiro à distância. Peço pra eles não espalharem para não atiçar a concorrência. No meu ramo mortal de negócios, se você é bom logo querem tomar seu lugar. E eu ainda sou muito novo pra pensar em aposentadoria. Ainda não cheguei na marca de mil corpos. Quero ser o Romário do mundo dos assassinos em série.
Só não gosto muito de matar velhinhas. Mato, mas não gosto.
Elas são frágeis demais. Nem aguentam uma torturazinha mais demorada. Mas tudo bem. Sempre há mendigos aos montes pra eu poder testar meus talentos incendiários.
E já planejo meu golpe de mestre. Matar o presidente.
O Gabriel disse que matou e ficou feliz. Pois agora é minha vez. Vê se te cuida, nove dedos!

Que droga! Meu pai acaba de cortar o meu barato. Disse que chega de mortes pra mim. Tudo porque não estou indo bem na escola. Ah, se eu pego esse professor de matemática!
Papai tirou meu computador e cortou minha mesada.
E agora? Como vou prosseguir com minha carreira de assassino em série?
Vou mudar de profissão. Mas antes, treinarei alguns métodos de extermínio rápidos e mortais. Só preciso de uma cobaia.
Será que meu irmãozinho já acordou?

Um muro agora. Um murro depois.

Vendo meu voto. Mas não sou nenhum alienado ou ignorante político( pelo menos, acho que não). Só estou decepcionado com tudo o que vejo por aí e quero aproveitar pra lucrar um pouco com isso.
Meu voto está à venda! Quem dá mais? Dou-lhe uma, dou-lhe duas. Vendido para a simpática senhora que está ali.
Consegui o muro que queria. E ela o voto que precisava. Foi uma troca justa. Agora é só esperar.
...
Puxa! Essa campanha me cansou. Mas cumpri minha parte no acordo. Agora só falta o muro.
...
O Muro ainda não foi levantado. Disseram que houve uma complicação na liberação da verba. Começo a me preocupar. Bem que me disseram pra não confiar muito em políticos.
...
Um Murro. Foi o que recebi no lugar do muro prometido. Um segurança, que mais parecia uma muralha, barrou minha entrada num evento onde minha candidata estava presente. Eu só queria protestar civilizadamente. Pedir o cumprimento da outra parte do acordo. Levei um murro como resposta. Nunca mais entro numa dessa. Dá vontade de sair gritando por aí e chamar minha, agora, ex-candidata de "caloteira". Mas corro o risco de passar por otário, já que vendi meu voto sem exigir uma declaração assinada em cartório. Se bem que isso é ilegal. Mas o que começa errado...
...
Meses já passaram e eu aprendi a lição. Nunca mais venderei meu voto. Vou no máximo alugá-lo. Mas só faço com o dinheiro na mão. Jamais confiarei novamente em promessa de candidato. O Murro que levei me ensinou uma lição preciosa. Nunca confiar no ovo que ainda está dentro da barriga da galinha. Ou num muro de tijolos abstratos.
Agora, tenho que ir. Estou atrasado. Negociarei meu voto com um futuro candidato a deputado. Mas já estou precavido. Gravarei toda a conversa. E contratei um auxiliar para o caso de algum murro aparecer. Afinal, a dor é a melhor professora e a esperteza é a melhor moeda de troca.
Pena que não tenho muita.

No Brasil é assim: gosto não se discute! Se lamenta. Ou se debocha. Mas se respeita?

NX zero é sucesso.
E sucesso refletido em números e em prêmios. Mas isso quer dizer alguma coisa?
Particularmente, não sou fã do som dos caras, mas assusta a postura de alguns em relação a jovem banda rotulada de "emo". Pra quê tanta agressividade por parte daqueles que não gostam da banda?
Chamo isso de intolerância. Que no final das contas não passa de burrice. É aquele velho papo de "meu gosto é melhor do que o teu". E o termo "velho" não é só força de expressão. Preconceito musical é problema antigo em nossa sociedade, apesar de sermos um verdadeiro caldeirão de ritmos. Os pagodeiros não simpatizam com os roqueiros, que por sua vez desprezam os sertanejos, que não querem ver os forrozeiros nem pintados de ouro. E assim por diante. Cada "tribo" tende a se fechar, excluindo os diferentes.
Daí se vê o tamanho da maturidade dessas pessoas.
Tendo uma cultura rica em diversidade, o mínimo que se pode fazer é ouvir de tudo. Ninguém tá pedindo pra você gostar, mas pra ouvir.
É assim que se conhece música: ouvindo.
Depois disso, é que se vai anexando aquilo que agrada ou não. E música é pra ser tratada como a arte que ela é. Não é um fator para discriminação ou separação de pessoas em grupos ou tribos.
A música une. Não são poucos os casos em que diferenças cruciais são postas de lado por causa da música. E esse respeito é fundamental para construir a sociedade que queremos.
E se não conseguimos respeitar gostos musicais diferentes, como conseguiremos respeitar opiniões, posturas, crenças diferentes?
Ouça de tudo. Curta só o que gostar. Respeite as diferenças.
Assim tocaremos as mesmas notas neste grande concerto chamado Brasil.

O Terror nas telas. E fora delas.

Esta cena você já viu.
Uma tremenda gostosa corre desesperada. O sangue mancha suas roupas minúsculas e apertadas.
Atrás dela, calmamente andando, aproxima-se um maníaco assassino, aparentemente indestrutível e preparado para esquartejá-la friamente. E a platéia vai ao delírio. Por mais que a gente grite pra mulher ir para uma direção, ela acaba indo de encontro ao assassino. E o sangue jorra aos montes.
E o mais incrível é que esse roteiro imbecil repete-se filme após filme e possui um público cativo.
É a banalização do cinema-violência.
É certo que nem todo filme necessariamente deve passar uma mensagem que gere crescimento em quem o assiste. Cinema é arte. E arte é prazer, diversão. Mas que divertimento há na violência gratuita?
Assisti recentemente ao último filme( ao menos por enquanto ) da série "Jogos Mortais". O filme é um tributo a imbecilidade humana. Não há história. Existe uma tentativa de enredo, que serve como pretexto para as mais absurdas e grotescas cenas de violência. O Ministério da Saúde deveria avisar que filmes assim fazem mal para o cérebro.
E o pior é que boa parte do público que consome esses lixos cinematográficos são crianças e adolescentes. Eles crescem numa cultura em que cabeças decapitadas não assustam mais.
É preciso cada vez inovar na "criatividade" dos roteiros para agradar as platéias atuais e encher os cofres dos produtores. Isso gera a tão falada banalização da violência, que deve ser combatida por um processo educacional humanitário.
É preciso humanizar as pessoas. Ensiná-las a olhar a dor do próximo como se fosse a sua.
A indiferença para com o sofrimento dos outros faz com que uma geração de egoístas e insensíveis tomem forma na sociedade.
Filmes de Terror deveriam servir como uma fuga da realidade, diversão para alguns. Quando eles começam a refletir ou influenciar a vida real, fora das telas, é porque algo está muito errado.
Ou você está disposto a deixar que seus netos assistam "Jogos Mortais 13" em algum ponto do futuro próximo?

Poderiam deixar o Davi ganhar? Ao menos uma vez?

Quase todo mundo torce pro Davi. Ele é do povo, é simples, tem a cara da gente.
Enquanto o Golias de, tão grande, faz sombra por onde passa.
Davi pega a pedra, prepara a baladeira( em um versão mais nordestina da história) e atira.
E então, acontece... nada!
A pedra sequer faz Golias rir.
E Davi se põe a correr pra não virar uma página amassada na história.
Ei, mas na Bíblia não foi assim!
É verdade. O problema é que nossos personagens são outros. Outros "Davi" e "Golias", que sempre aparecem em época de eleição.
A diferença principal entre eles? O dinheiro.
Davi tem dívidas aos montes. Golias só falta nadar no dinheiro.
A campanha de Davi é feita por alguns voluntários. Geralmente amigos e família. Já Golias contrata alguma firma terceirizada para o serviço. Enquanto Davi rala debaixo do sol escaldante tentando conquistar alguns votos, Golias administra o andamento da campanha pela Internet, saboreando um delicioso vinho com caviar.
É por isso que eleição no Brasil não surte o efeito esperado. Não existe alternância de poder.
Ele sempre continua nas mãos dos poderosos. Às vezes, de grupos políticos diferentes, mas com a mesma visão. Não representam o povo. Representam a si mesmos.
Do modo como as coisas vão, nunca um Davi de verdade vai chegar ao poder.
A solução? Equilibrar as coisas.
Partidos pequenos devem ter os mesmos direitos e oportunidades dados aos partidos grandes. O mesmo espaço na mídia. O mesmo limite para o uso do dinheiro.
"Ah, mas isso não vai acontecer" diz você.
Também acho, mas não é por isso que vou concordar com o que acontece eleição após eleição.
É uma luta desigual. Não tem chance de Davi ganhar.
Até penso em mudar de lado. O Golias paga mais. E só assim vou poder ter meu dinheiro de volta para seu lugar de origem. Afinal de contas, quem você acha que acaba bancando a campanha do Golias?
Olhe no espelho e terá uma resposta.

A vida como ela é... nas propagandas de cerveja.

A propaganda até que é legal. Uma jovem, com postura bem moderna, fala que está disposta a transar só por prazer. Dispensando todas as neuras e complicações que advêm de um relacionamento. E no canto da tela, aparece uma garrafa de cerveja.
E o quê a cerveja tem a ver com o resto do comercial?
Sei lá! Talvez, os gênios da publicidade querem associar a postura sexual moderninha com o consumo de álcool. Entende a conexão? Quem é liberal, toma cerveja. Ou seja está livre de qualquer amarra social. Os caras são uns gênios mesmo.
Mas, o bacana é associar o álcool a uma vida saudável, cheia de dinheiro, mulheres bonitas e tudo do bom e do melhor. É claro que a associação não é muito verdadeira. Não vou pegar a gostosona da vez só porque tomo cerveja. E não vou viver como se estivesse em uma ilha tropical em constantes férias, somente porque bebo umas como o Zeca Pagodinho. Mas, é apenas uma propaganda lembra? E propaganda é pra isso mesmo. Exaltar de forma exagerada, ou até inventiva, os supostos benefícios e mascarar possíveis males.
Mas chega um momento em que as propagandas já não servem mais.
É difícil encobrir o perigo do álcool, quando levamos em consideração a enorme quantidade de famílias destruídas pelo consumo exagerado de cerveja.
É impossível mascarar o mal do alcoolismo quando observamos a quantidade de acidentes de trânsito causados por motoristas embriagados.
Isso é o que propaganda deveria mostrar.
Mas não é o que você vai ver.
Existe um jogo de interesse financeiros que move todo esse comércio de álcool. As cervejarias crescem de uma forma surpreendente e conseguem se impor sobre algo de um valor muito maior: a vida humana.
Matamos mais no trânsito do que na guerra do Iraque. E Bush nem é nosso presidente pra jogarmos a culpa nele. Dessa vez culpa é nossa. Individualmente e coletivamente. E por esse motivo, somos os mais indicados para resolver o problema.
A propaganda engana. Mas só fica enganado quem quer. Veja o que está por trás dela. Olhe para o que pode vir a acontecer. E tome uma decisão que pode salvar a vida de centenas de pessoas.
Inclusive a sua.

O Bruno tem razão!

"Música não se faz com a bunda."
A frase acima é de Bruno Gouveia, vocalista da Banda Bíquini Cavadão. Foi dita durante um momento de desabafo no Ceará Music Festival. E não é que o Bruno tem razão?
O mercado brasileiro tem visto surgir uma enorme quantidade de bandas( se é que podemos chamar assim) cuja maior "qualidade" são as músicas chulas, de duplo sentido, reverenciando a bunda e menosprezando o cérebro. É tanta bunda que até enjoa. E isso é um absurdo.
Temos uma história marcante no Rock nacional. A Legião, Capital Inicial, Os Titãs, Ira, Os Paralamas, Os Engenheiros( só pra citam alguns nomes) movimentaram e movimentam o cenário nacional trazendo músicas que primam pela mensagem crítica, pela poesia das letras. Músicas que ultrapassam anos e continuam atuais, pois são símbolos de uma geração inconformada, insatisfeita com os rumos que o país tomava e ainda toma.
Quem nunca cantarolou na vida "Que país é esse?".
Ou nunca afirmou que "O Papa é Pop"!?
E isso é que eu amo na música. Esse poder de sintetizar em poucas linhas o que queremos dizer. De levar pra qualquer canto os anseios de uma geração.
Mas hoje em dia...
A criatividade de alguns é tão capenga que nem se preocupam em produzir algo com sentido. Botam qualquer porcaria rimando com outra pior ainda, costuram alguns acordes e pronto. E ainda chamam isso de música
Este texto não é uma defesa do Rock. Defendo a música. Não importando o ritmo, mas dando valor a letra. É impossível chamar coisas como "créu" de música. Nem com muito esforço e tolerância somos capazes disso.
Enquanto a bunda ocupar o lugar que deveria ser do cérebro, mais composições imbecis irão surgir no mercado nacional. E nosso país, berço da Bossa Nova, gerador de grandes gênios das letras como Vinícius e Chico, pode acabar virando uma grande fossa.
Mas a beleza da arte é maior que o vazio do absurdo. Sempre haverá pessoas disposta a propagar a música de verdade. Que emociona. Que faz pensar. Que faz acreditar em um mundo melhor, mais justo. Mais ritmado nos acordes da liberdade e da igualdade.
É por isso que o Bruno tem razão. E sempre vai ter.

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