Realidade muito mais virtual.



Olhe bem para a foto acima.
Feia, não é mesmo? Mas ela ficará no passado. Nunca mais as ruas de nossa cidade aparecerão deste modo nos noticiários locais e nacionais. Agora vivemos uma nova era.
A tão alarmada Era Digital.
E graças a ela, ficaremos bem melhor na fita. Ou melhor: ficaremos bem melhor nas tv's de alta definição.
Chega de termos o (bom?) nome do nosso Estado associado somente a coisas ruins. Chega!!!
Na revolução digital, tudo aquilo que nos envergonha será esquecido, transformado pelo poder da tecnologia em algo mais belo, que nos encha de orgulho. Nada de gastar rios de dinheiro em obras públicas. Esse dinheiro pode ser poupado e usado para o benefício dos que nos governam. Em nossa revolução digital, as despesas serão diminuídas em prol de um mundo melhor. Artificial, é verdade.Mas melhor.
E assim marcharemos rumo ao nosso destino glorioso
Entretanto nos vem a lembrança que sempre somos mal falados por causa da nossa classe política antiga e mesquinha que jamais largará o osso do poder.
Pois bem, vamos digitaliza-los também. Em nosso novo mundo, o político carrancudo e bigodudo do ontem será o feliz e carismático Lula do amanhã. Tudo devido a mais alta tecnologia que transforma a embalagem e , quem sabe um dia, transformará o caráter também.
A revolução começa hoje e aos poucos se espalhará por todo o nosso território. Conseguiremos um feito histórico. Pelas telas da tv's, estradas majestosas surgirão onde antes só havia caminhos tortuosos de terra batida. Escolas de alto nível se multiplicarão tomando o lugar dos atuais prédios abandonados e mal estruturados.
E o povo?
O povo estará sempre lindo. Forte. A brincar nos campos floridos ao redor. Não haverá mais dor nem tristeza. E o Governo enxugará dos seus olhos toda a lágrima.
Nossa! Pra quê esperar pelo céu? Aqui será bem melhor.
É o Maranhão dos nossos sonhos.
Em uma nova era. Digital, mas nem um pouco real.

Giselle pode ser Gorette!

Tenho um caso de amor e ódio com o "Pânico na TV". Em algumas ocasiões, revolto-me com as piadas e quadros apelativos do programa. Em outras, bato palmas pela criatividade e coragem em tratar temas polêmicos. E no momento, as palmas estão ganhando. Tudo por causa da transformação de Paula Veludo, personagem criada pelo programa, interpretada por uma jovem cujo principal atrativo é a ausência dos dentes.
Estratégias para ganhar audiência à parte, o quadro do programa humorístico está proporcionando um momento único na televisão comercial brasileira. Faz com que a massa da população, inclusive a turma mais jovem que é fã cativa do Pânico, pense um pouco ( mesmo que seja só por alguns minutos) na superficialidade do valor que é dado a aparência física.
E isso conta muito.
Em um país onde o mundo perfeito de "Malhação" é espelho para uma geração de adolescentes (movidos ao e pelo consumismo),estimular uma reflexão sobre o papel da beleza na mídia e fora da mídia é algo a ser celebrado.
Beleza vende. Isso é fato. O problema é quando beleza, e somente ela, é motivo para empregar. Ou então ajudar alguém. No quadro do programa, uma "gostosona" levou apenas 30 segundos para ser auxiliada na difícil tarefa de trocar um pneu furado. Rapidamente, um jovem ofereceu-se para ajudá-la. E sem segundas intenções, como bem disse o Emílio. Por outro lado, ao passar pela mesma situação, Paula Gorette Veludo penou e muito até que encontrasse uma boa alma disposta a ajudá-la.
E isso fala muito sobre nosso povo.
Sobre como nossa visão de "ajudar ao próximo" é condicionada a quem é esse próximo. Se for alguém bem vestido, de "boa aparência", a soliedariedade inundará nossos corações. Entretanto, quando quem nos pede auxílio é alguém que não foi agraciado com uma estampa legal ou cuja imagem desperta suspeitas, a frase "agora não dá pois atrasado" reinará absoluta em nosso lábios.
Somos assim. Mas isso não quer dizer que devemos ser assim.
Desculpe-me o poeta, mas beleza de alma é fundamental. É ela que nos faz humanos e é dela que extraímos forças para luta cotidiana. E tal beleza é que deve ser o alvo da nossa procura. Ainda mais em uma sociedade que produz em abundância Giselles na aparência, mas Gorettes na alma.

Cidadão sem noção.

A cena já se tornou memorável.

Em mais um quadro inspirador, os gênios do CQC colocaram à prova a disposição do cidadão comum em resolver problemas que estão bem a sua frente. E mesmo que não resolvesse, que ao menos tomasse uma atitude adequada. Era o "Cidadão em ação". Mas o que se viu...
O que se viu foi um bando de sem noção violando as leis e dispostos a levar nossa juventude a um futuro não tão brilhante assim.
Os poucos que exerceram a cidadania e assumiram uma postura exemplar, assim o fizeram não por saber que se tratava de um quadro jornalístico, mas sim pela consciência de que o mínimo de bem que podemos fazer para o próximo é o suficiente para mudar a sociedade em que estamos inseridos.
Por outro lado, os "sem noção" agiram levados pelo senso comum de que o problema do outro é do outro. Não é meu. Não cabe a mim assumi-lo. Ou até mesmo compartilhá-lo. Ainda que o outro se pareça ou tenha a mesma idade de algum ente querido.
O garoto que me pede cigarro é de menor? Culpa dos pais que não o ensinaram direito, que não o orientaram. "A culpa e a responsabilidade não são minhas" pensam alguns.
O índice de alcoolismo entre adolescentes cresce? Eu não tenho nada a ver com isso e aposto que o copo de Jurubeba que arranjei para aquele guri não vai transformá-lo em um bêbado. E mesmo se fizer, e daí? Não mandei ele beber. Nem sou pai dele. Aliás ,nem o conheço. Só tava fazendo um favor.
E por que razão iria negar uma "sacanagemzinha" pra alguém de menor? É de pequeno que se aprende. "Li" várias revistas dessas e aqui na boa. Só minha mão que dói de vez em quando. Sacanagem faz bem. Ainda mais que com essa onda emo atacando a garotada de hoje , temos que pensar no futuro procriativo da humanidade. Fresco mesmo, só se for o ambiente.

As frases acima parecem ser ficcionais.Mas não são.Muitos de nós pensam assim e propagam essas idéias. O resultado disso? uma geração de jovens desmiolados e viciados. Vivendo como adultos mas sem a devida maturidade. E gerando crianças que possivelmente repetirão os mesmos atos, caso o ciclo não seja quebrado.
É nesse momento que o cidadão deve entrar em ação.
Eu não preciso ter laços sanguineos ou emotivos com alguém para que o ajude.Para que o oriente. Se estiver ao meu alcance ( e até mesmo não estando), cabe a mim como cidadão consciente orientar aqueles que por falta de maturidade ou estrutura familiar estão desorientados.
Caso contrário, posso ser mais um nome adicionado a imensa lista de vítimas de crimes praticados por menores.
Menores que poderiam ser salvos se alguém como eu e você entrássemos em ação.

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Um cara indignado. Indignado pelo modo como nosso país é guiado, pela maneira como a sociedade é moldada. E disposto a fazer a minha parte para mudar o mundo.

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