Meus atos secretos. E os deles!

Trancado no banheiro do quarto, acreditava que a privacidade não seria violada. Com o habitual material literário em mãos, comecei a executar meu primeiro ato secreto. Tudo ia bem, de acordo com o planejado, quando inesperadamente a paz reinante é quebrada. Batidas incessantes ecoavam pelo recinto, seguidas da típica frase: " que você tá fazendo trancado aí, menino?" Ainda suando, abri rapidamente a porta e meu rosto vermelho me denunciava. Fui descoberto. E em pleno ato. O que era secreto, tornou-se público e acabei virando motivo de piada e fofoca dos abutres de plantão. Meus pais, envergonhados, insistiam para que eu me licenciasse da presidência, mas como o Clube de cards iria existir sem mim? Entretanto, sem o apoio dos meus pares(uns ingratos e traidores) tive que sair do poder, deixando estrategicamente meu irmão caçula no lugar. E como a vida é uma grande escola( adoro esse clichê), aprendi algo com o acontecido: ter cuidado com os atos secretos não tão secretos assim.

2009. O tempo passou e vejo que meus colegas senadores estão enroscados, ou melhor, continuam enroscados em atitudes obscuras. As sacanagens que eu fazia com meus próprios bens,eles fazem com os dos outros. E como não primam pela esperteza, acabaram-se descobrindo todas as tramóias. O dono da festa, bigodudo e maranhense( e por favor, ser maranhense é virtude, apesar do que muitos pensam), recusa-se a sair da cadeira. Devoto de São Lula, o protetor dos mensaleiros e daqueles que carregam dinheiro na cueca, o titular do posto de chefe segue adiante. E tudo isso nos faz pensar no Brasil.
Como levá-lo a sério?
Temos uma Constituição falha, precisando de alterações urgentes que não irão ocorrer, infelizmente, pois os legisladores são os menos interessados em mudar as regras do jogo. São Lula, que trata de forma diferenciada seus seguidores, critica de modo taxativo o "denuncismo" da imprensa. "Denuncismo" responsável por escancarar as portas das salas obscuras do Senado.
Não é esse país que nós queremos.
Atos secretos não são cabivéis em uma democracia. Mesmo em uma deficiente como a nossa. Quando praticados por um adolescente em fase de crescimento, atos secretos são atitudes aceitavéis. Quando surgem na mente daqueles que deveriam representar o povo, mostram quão suja está nossa nação. E não só por causa do que é feito às escondidas,mas principalmente do que ocorre à tênue luz da justiça brasileira.

Um mundo em preto. E mais ou menos branco!

Havia negros por todos os lados.
Sentiu-se um peixe fora-da-água. E todo mundo o olhava como se fosse um mesmo. Sua pele clara e olhos azuis contrastavam com o negro predominante na maioria dos outros alunos.
Logo na entrada, encontrou-se com um velho amigo de infância limpando o corredor do curso de Direito. Lembrou-se dele, de como diziam que teria um futuro promissor, apesar de ser branco. E agora estava ali. Tanto potencial desperdiçado em um balde e esfregão.
Não entendia como o país podia ser tão racista, discriminador. A maioria branca e pobre era relegada a segundo plano, enquanto a minoria negra gozava dos benefícios do poder. Conseguiu a vaga na universidade pública por meio do "discutível" sistema de cotas para brancos. Ainda na primeira aula, sentiu o peso das desigualdades em um país continental. Um grupo de alunos negros, prejudicados pelas cotas, fizeram um barulhento protesto em frente à universidade.
Sentiu-se meio culpado, mas o que podia fazer?
Nunca teve oportunidade na vida e não podia perder essa porta de entrada para o ensino superior. Ainda mais no curso de Direito, onde a elite negra predominava. Quantos advogados ou juízes brancos existiam? O mínimo do mínimo!
Os brancos sempre foram tratados como seres inferiores, incapazes, mentalmente involuídos. Claro que nem todo negro pensava assim. Alguns intelectuais pregavam o respeito às diferenças existentes nos seres humanos e que todos deviam ser tratados de forma igual. Eram brancos, mas eram humanos em primeiro lugar. Todos eram humanos.
Entretanto a mídia era dominada pela "beleza negra". Os grandes atores, cantores e apresentadores eram negros. Os brancos eram sempre retratados como uns pobres coitados , marginais ou traficantes. Ser branco era como ser parte de um grupo à parte, portador de alguma doença contagiosa.
Por isso, o governo estabeleceu o programa das cotas pois era consciente de que o voto dos brancos também é válido. Não era uma solução, mas ao menos mascarava um pouco. E deixava os brancos mais felizes. As leis raciais também ajudavam a estabelecer a idéia de um país uniforme. Chamar alguém de "giz", "leite" ou qualquer outro termo discriminatório por causa da cor da pele era crime inafiançável.
E dessa forma, uma nação multicolorida estava sendo formada.

Só esqueceram de dizer que o racismo é uma coisa sem sentido. E sobre qualquer forma ou cor, trata-se da mais rudimentar burrice.
E nada mais além disso.

Vou colar em Lula!

Apesar de tudo, o povo ama Lula.
Tá certo que o "povo" na verdade é a massa de brasileiros humildes e trabalhadores espalhados por nossa imensa nação e que os mesmos, por falta de uma educação de qualidade, não têm consciência crítica pra enxergar o que há por trás dos discursos populistas e da cara de pobre do nosso presidente. Mas ainda assim, ele é amado. Foi blindado pelo povo. Podem chover denúncias de corrupção, mas elas não grudam em Lula. O cara sempre sai ileso. É quase um Superman da política brasileira.
Quase.
E é por isso que tanta gente quer colar em Lula. É até interessante isso. Anos atrás, a simples menção do "Barbudo comunista do PT" faria alguns candidatos sairem correndo. Hoje em dia, a correria continua. Mas em direção a Lula. Correm para figurar ao lado dele numa foto, para aparecer colado com ele em alguma manifestação pública. Na verdade, descobriu-se que Lula não é humano. É uma mina de ouro. Um objeto valioso que traz sorte, benefícios para quem se utiliza dele.
Em nossa cidade, "Oposição" e "Situação" estão com Lula. O verdureiro e o filho do deputado também.
E eu vou colar em Lula, é claro.
Pessoas desconfiam da minha integridade moral, da minha honestidade? Nada que uma foto ao lado de Lula não resolva. É tiro e queda pra restaurar minha credibilidade ameaçada.
Minha esposa desconfia de minhas constantes saídas noturnas? Basta mostrar minhas credenciais lulistas para o amor eterno reinar em meu lar.
Acredito que todo brasileiro deveria ter uma foto de Lula para colar em casa. O país não iria mudar, mas uma onda de otimismo iria varrer a sociedade.
Sociedade unida, melhor e ... colada em Lula!

O que eu aprendi com Mc Catra.

O homem e a mulher têm biologias diferentes. O homem tem mais testosterona, mais tesão. Por isso, ele pode ter várias parceiras de uma vez. Isso não é traição. È a biologia.

A conclusão acima, "brilhante" por sinal, pertence a um arremedo de cantor chamado Mc Catra. Aquele mesmo. O cara do "vai rolar um adultério". Em mais um edificante(?) debate no programa Superpop( só podia ?), o falastrão do Catra, que diz possuir várias esposas( poligamia é crime, mas o gênio disse que não tá nem aí.Ou seja, o cara é um ótimo exemplo para as gerações mais novas!!!), defende sua nova criação que eu não ouso chamar de música: o passar "cartão de crédito" na bunda da mulher filé ou de qualquer outra dessas mulheres-objetos do funk. E isso foi só o começo.
Tenho três décadas de vida e já vi e ouvi muita coisa. Mas o Catra foi de lascar. Foram tantos absurdos ditos que fica impossível citá-los. E Catra é apenas um.
Existe uma variedade de cantores( se bem que me incomoda ter que chamá-los de "cantores") que descaradamente usam o sexo como tema para vender cd's e se destacar no competitivo cenário musical.
Mas o Catra vai mais longe ainda. Uniu, de um modo absolutamente grosseiro, religião e sexo. Segundo o mesmo, suas composições são abençoadas pelo Deus vivo.
A desgraça maior é que personagens como o Mc Catra existem porque fazem parte de um esquema comercial que não dá a mínima para a qualidade ou conteúdo do produto musical. O que vale mesmo é o lucro obtido. O dinheiro conseguido, de forma honesta é verdade, mas nem um pouco honrosa. São as engrenagens do Capitalismo movendo o mundo em que vivemos.
Entretanto não quero viver em um mundo onde as bundas simbolizam o que há de melhor na mulher. Onde seres humanos não passam de pedaços de carne. Onde personagens como Mc Catra fazem relativo sucesso com músicas que tratam a mulher como se ela fosse um troço descartável.
Por isso, lutamos por uma sociedade diferenciada onde a Educação seja prioridade na luta por um mundo melhor. Sem mulheres-frutas ou "cantores" desmiolados.
Porém, infelizmente, o funk de Catra e seus amigos vai continuar tocando. É um dos males da nossa inexistente democracia. Mas independente das asneiras ditas pelo "polêmico" Mc, sempre haverá espaço para escritos como este ou para músicas de qualidade comprovada, que valorizem a mulher e não apenas uma parte de sua anatomia.

E agora? O que fazer com Artur Azevedo?

"99% de nossos alunos de nível médio estão entrando para a universidade (quando entram!) sabendo mais de Ronaldinho Gaúcho, que sobre o autor de A Capital Federal e 99,5% da população de um modo geral nem nunca ouviu falar sobre o indivíduo".

Ubiratan Teixeira, escritor maranhense.

A citação acima de nosso conterrâneo e talentoso escritor foi retirada de um recente artigo jornalístico. E ela nos leva a pensar sobre um problema sério, mas de real solução: A ignorância sobre a obra e pessoa de Artur Azevedo por grande parte de nosso povo.

Como isso é possível?

Não sei ao certo, mas algo ficou claro aos meus olhos. Artur Azevedo precisa ser conhecido. Não para o seu bem ou a sua glória. Isso ele já conquistou e ninguém há de tirá-la. Ele deve ser conhecido para o nosso próprio bem, para o bem da cultura brasileira. Suas peças, contos e crônicas são de uma atualidade impressionante. Elas ensinam, fortalecem e propiciam o crescimento de qualquer um que as lê.

É certo que por "conhecido" refiro-me a não somente saber o seu nome. O belo Teatro na rua do sol já faz isso muito bem.

Conhecê-lo é ler seus textos, estudá-los, transmiti-los a outras pessoas. Principalmente às gerações mais novas. Como educadores que somos, temos não só o desejo mas até mesmo a obrigação de assim fazer.E num País e Estado, onde pouco se valoriza o que é nosso, da terra, Artur Azevedo deve ser visto como aquilo que ele sempre foi e o é para os poucos que têm acesso aos seus escritos: um patrimônio literário nacional. Não é apenas para ser celebrado, lembrado. Deve ser, principalmente, lido. È a leitura daquilo que ele escreveu que vai nos ajudar a tornar sua memória sempre-viva e presente, não só no seu centenário de ida para a eternidade, mas todos os dias.

Enfim, o mais adequado não é perguntar "O quê fazer com Artur Azevedo?".

Mas sim, "O quê Artur Azevedo pode fazer por nós?".

As Palavras voam. Os Escritos permanecem.

Verba volant, Scripta manet – As palavras voam, os escritos permanecem.

O provérbio latino acima, retirado de um dos inúmeros contos do versátil Artur Azevedo, sintetiza o imenso valor literário e histórico dos textos produzidos pelo mesmo.
As Letras brasileiras, e não só as maranhenses, foram agraciadas pela presença deste ilustre teatrólogo, contista, poeta, jornalista e (por que não?) conhecedor como poucos da alma e costumes dos homens de sua época.
E da nossa também, uma vez que seus escritos permanecem atuais.
O leitor de Azevedo se vê no decorrer do texto lido. E levando em conta que o país, de lá pra cá, descontando-se as devidas peculiaridades temporais, continua o mesmo em essência, é possível entender essa atualidade. Quantas "Lolas", "Eusébios" e "Lourenços" não há por aí, e não só na "Capital Federal", mas em cada canto desta nação? E o drama vivido em "O Escravocrata", apesar das leis abolicionistas, reflete ainda na vida de muitos brasileiros, negros e brancos, sob a pesada carga do trabalho escravo moderno. Mas há também a malandragem inócua(?) do Borba, a persistência do apaixonado Isaías e seus divertidos anexins, a esperteza do pacífico boticário que com uma singela pílula resolveu um possível conflito de morte.
Isso é Artur Azevedo.
O Brasil é Artur Azevedo. Em todos os contos, artigos, poemas e peças.
E ainda que para alguns o autor não seja um Machado nas Letras, Artur construiu com sua brilhante pena pilares literários críticos, cômicos, azedos e de igual quilate ou até mais do que os do bruxo do Cosme velho.
Textos que ontem e hoje fazem o Brasil pensar, chorar e rir de si mesmo.

Chinismo!

O Mundo abriu os olhos em direção a China não fez o mesmo. Acabaram-se as Olimpíadas e uma pergunta ficou no ar: Valeu a pena?
Se o objetivo era mostrar superioridade no campo desportivo e ostentar um invejável poderio econômico, as Olimpíadas valeram e muito. Mas e o tão celebrado "espírito olímpico?" Ele consegue resistir aos diversos ataques aos direitos humanos cometidos pelo governo chinês? Exploração de mão-de-obra operária, a ocupação e opressão ao Tibete, a "muralha chinesa" sobre a Internet e outros meios de comunicação, tudo isso nos leva a questionar o valor dos jogos de Pequim. Afinal de contas, suprimir a liberdade em troca de um show para ficar na história é o preço a se pagar?
Essa é uma questão a se pensar.
Os jogos olímpicos já foram usados como bandeira política no passado, mas o último foi mais do que isso. O que incomoda mais é a atitude conivente, passiva, das grandes potências. Tudo pela oportunidade de lucros avantajados no mercado chinês, que abriu-se sorridente para o Capitalismo.
Isso é cinismo.
No mais alto grau. E com consequências sérias. Não só para um país, mas para a humanidade.

O Lobo mau não anda nas florestas!

"Sabe quem está falando?"
Espere um pouco! A frase está meio desatualizada. Vamos modernizá-la.
"Sabe quem está teclando?"
O Mundo mudou. E a comunicação entre as pessoas também.
Tornou-se mais impessoal. No apertar de uma tecla. O problema é não saber quem está do outro lado. Não saber quem está falando de verdade.
Nos últimos anos, os crimes via Internet cresceram de forma assustadora. Vivemos a onda do relacionamento digital. Amaldiçoados sejam os que não têm perfil no Orkut. Que sejam banidos os pobres-coitados que não usam o Msn. O analfabetismo digital virou uma praga a ser combatida.
E por causa disso, as portas de nossas casas podem estar abertas para visitantes indesejados.
É como a velha fábula da "Chapéuzinho Vermelho" transportada para o século atual. Apesar dos constantes avisos, ela insiste em ir pelo caminho da floresta. Entretanto, em nossos dias, os "Lobos" não habitam a selva.
Estão on line.
E podem ser detidos através do toque em uma tecla. Por mãos conscientes e mentes pensantes.

O Futuro no/do presente.

Nosso futuro até pode ser incerto.
Mas é construído por meio de nossas ações do presente.
Uma virada pra esquerda em vez da direita. Uma escolha tomada em vez de outra. Um caminho trilhado em vez de outro. São pequenas ações que podem fazer a diferença no futuro que teremos pela frente.
Mas como tomar decisões certas? Como saber se elas são as melhores possíveis?
Eis o problema! Não sabemos!
Não podemos saber até que as consequências nos atinjam. E cabe a nós, o difícil peso de tomar decisões. E independente da idade, elas sempre são difíceis. Podem mudar o rumo de nossas vidas ou mantê-las em um destino já estabelecido.
Espere um pouco! Já estabelecido?
Essa é a grande questão a se pensar. Podemos interferir no futuro ou tudo já está traçado e somos atores vivendo uma peça escrita?
Seja como for, uma coisa é certa: toda ação possui uma reação equivalente.
Por isso é importante pensar antes de agir. Pensar não só no agora, mas no depois.
E ao reconhecer um erro no caminho, tenha humildade e força de vontade, não para tentar apagar o que está errado, mas para corrigi-lo.

As Prateleiras do Mercado.

Somos produtos no mercado.
Eles se aproximam. Olham pra nós. Analisam a embalagem. E nos levam embora.
Assim é no Mercado de Trabalho.
Sempre cismei com essa expressão. "Mercado de Trabalho". Na minha mente vem a imagem de imensas prateleiras, carregadas de produtos. Todos com alta qualidade e preparados para o consumo. Todos à espera de compradores.
Mas minha cisma não adianta muito. Também faço parte deste mercado. O que incomoda é ser um "produto". Produtos não têm vida. Não têm sonhos. Não têm um futuro. São utéis até o momento em que cumprem sua função. Depois são descartados. Trocados por outros.
Como educadores que somos nossa função é orientar as novas gerações. Prepará-las para a vida futura. Não são "produtos" em potencial. São pessoas que ensinadas de modo adequado, humanitário, farão parte da sociedade como agentes modificadores e não somente produtos em uma prateleira.
Educação para a vida deve ser prioridade em nossas escolas. Ensinar o valor da honestidade, da solidariedade, do amor ao próximo é fundamental para uma visão de vida mais afinada com o mundo que queremos. Ou deveríamos querer.
Entretanto, é interessante notar como somos levados a pensar de outro modo. Desde pequenos, a visão do "cada um por si" é jogada para nós. Ajudar o colega ao lado? Nem pensar! Ele é meu concorrente e pode pegar meu lugar.
É disso que estamos falando. Essa visão movida pelo modo de produção capitalista transforma todos nós em adversários uns dos outros.
Só o Mercado é que sai ganhando desse modo. As pessoas não.
Infelizmente, as prateleiras do Mercado sempre vão existir. E você sempre será visto como um produto à disposição.
Porém, a vida é muito mais do que isso.
E você é muito mais do que uma mercadoria à venda nesse imenso Mercado que nos cerca.

Sem anos de solidão.

Em um ato de sincera admiração, tomei emprestado o título da obra do fantástico Gabriel García Marquez. Uma simples troca de letra vai servir. García Marquez contou a envolvente saga da família Buendía. E ganhou um Nobel por isso. Minhas pretensões são menores, é claro. Mas o empréstimo serve para pensarmos sobre nossa vida em sociedade.
Há uma reclamação constante em nosso meio. A de sentir-se só apesar da grande multidão ao lado. A solidão é um mal que acomete sem fazer distinção de idade ou classe social. É estimulada pelo individualismo crescente dos nossos tempos. É o "cada um por si" que não consegue mais satisfazer nosso desejo interior de estar junto ao outro. Todos temos essa carência do próximo. A tecnologia atual, por mais contraditório que possa parecer, pode acabar por separar em vez de nos unir.
Nada deve substituir o toque, o ver nos olhos, o abraçar alguém. Isso é estar vivo. É viver. É vida.
E a vida é pra ser vivida na coletividade. E sem anos de solidão.

O homem dentro do sistema.

E aí? Capitalismo ou Socialismo? Com quem você vai?
Olha que a disputa é antiga. De um lado os amantes do Capital. Do outro, os sonhadores defensores do bem comum.
Mas quem matou mais?
É difícil contabilizar. Ambos, "capitalistas" e "socialistas" são culpados por uma longa lista de genocídios, de forma direta ou indireta. E quem matou não foram as idéias. Foram os homens por trás delas.
Idéias são abstratas. Não podem ferir. Homens, ao contrário, matam idéias. E pessoas também.
Acredito no Socialismo. Não na tentativa ditatorial da Ex-União Soviética ou do absurdo do governo Chinês. Creio no valor das idéias socialistas de Marx e outros que sonharam e sonham com um mundo mais justo, igualitário. Ainda que nenhuma nação tenha conseguido colocá-la em prática, a visão socialista é possível.
Por outro lado, há necessidade do Capitalismo. Não o selvagem, descontrolado do nosso tempo atual. Mas sim, o equilibrado, que gere competição igualitária. Embora alguns achem que isso é impossível.
Ao meu ver, o problema está no homem. Ele é o problema.
O homem dentro do sistema( qualquer um dos dois) é que comete atrocidades que chocam a todos. Por isso que mudar o modo de produção do país não adianta enquanto não se muda os homens por trás dele.
É até irônico ver os dois lados disputando pra ver quem é o melhor. Ou o pior. Mas no final das contas, são todos iguais. Somos todos iguais. Com nossas dores e amores. Sonhos e temores.
E vemos a imagem do oposto refletida em nosso espelho.

Não quero virar estatística!

Números. Estamos cercados de números por toda parte.
E eles não são nada animadores.
O trabalho infantil cresce assustadoramente. Milhões de crianças ainda estão fora dos bancos escolares. E a violência de nossas grandes cidades assemelha-se a de países que vivem em constante guerra civil. Tudo isso pode ser resumido em números. Números que mostram a dura realidade brasileira
Mas eu não quero virar estatística. Ninguém quer.
Estatísticas são frias, desumanas até. São números que representam vidas, que por alguma razão, forma encurtadas. Por trás de cada algarismo, há uma história de vida.
É interessante notar que não percebemos isso. Olhamos para os números e só vemos... números!
Algo até compreensível dada a falta de sensibilidade dos nossos tempos modernos.
Mas vejam só a história de Roberto. Um jovem pai de família. Trabalhador honesto. Cumpridor de seus deveres cívicos. Morto por uma bala perdida.
Roberto tinha uma vida, uma história. Virou um número. Mais um componente de uma enorme lista ( que cresce a cada dia) que mostra o tamanho do caos da violência no país.
E Roberto vai continuar sendo um número, até o momento que você se aproxima e vê as coisas mais de perto. E descobre as vidas por trás dos números.
Eu não quero virar estatística.
Mas sei que sou sujeito a ser uma, enquanto os governantes desta Nação continuarem a tratar o povo como números de uma lista. Lista bastante usada em épocas eleitorais para manipular a massa de votantes desconhecedores da própria realidade que os cercam.
Realidade que transmutada em números revela quão dura é a vida em um país em que pessoas nada mais são do que futuras estatísticas.

Será que ele é??? E se for, muda alguma coisa???

Sabe aquele talentoso galã da novela das oito? O cara corta dos dois lados
E aquele carismático apresentador da TV? Descobriram recentemente que ele é muito "delicado".
Sim, mas e daí?
Desde quando opção sexual interfere na capacitação profissional ou no talento de alguém?
Sabemos que não. Porém o que mais se vê é esta associação equivocada.
E isso tem nome: preconceito. Que se não for contido, vira homofobia. O que independentemente da crença religiosa não é algo bom
O preconceito sexual é apenas mais uma faceta de um velho problema da humanidade : a falta de tolerância para o que é diferente .
Sempre defendemos uma bandeira. A bandeira do respeito para com tudo e para com todos.
E respeitar não é necessariamente concordar. Mas sim procurar entender quem pensa ou age diferente de nós.
A intolerância manda que minha crença, meu modo de pensar sejam impostos a todos. O bom senso ensina que o Outro tem direito de pensar diferente de mim e eu tenho o dever de respeitar esse direito.
E por mais difícil que seja para alguns aceitarem este fato, não somos Deus. Somos criação dEle. Todos nós.
E cabe a Ele julga o que fizemos ou deixamos de fazer

A Prova não prova... mas aprova. E reprova!

Começou a temporada de caça. Caça às notas.
E é cada um por si e a "pesca por todos. Ao menos, é assim que funciona na maioria das escolas.
Por quê?
Não é complicado achar uma resposta. Quando a Educação("trazer para fora") é trocada pelo ensino("de fora para dentro"), o que fica é a sensação do Não-Saber. Não sabendo, você abraça a decoreba. Decoreba que é descartável, limitada e que não desenvolve a mente.
Ela rende aprovação, mas não traz conhecimento.
Entretanto quem está preocupado em obter conhecimento? O que importa é a nota! Você nota?
Compreende o que permanece por trás dessa maneira de pensar, de ensinar?
Essa prática gera "alunos", pessoas sem luz que precisam de notas padronizadas por um sistema educacional para se sentirem completos.
Entenda bem. O problema em si não é a prática da avaliação, mas a maneira como ela é encarada por professores e alunos. Ela não deve ser tábua de salvação para os estudantes e nem deve ser instrumento de punição para o professor usar no controle da turma.
Ela é parte de um processo educacional realizado diariamente na sala de aula.
Não deveria existir um "tempo de provas". Essa prática só condiciona as pessoas a serem "alunos". Pense um pouco e liberte-se da "tirania das notas".
Tenha cada aula como uma oportunidade de crescimento e os resultados esperados virão como consequência.
Enquanto uma mudança da atitude não acontecer, provas irão continuar aprovando, reprovando e condicionando. Fazendo com que você tire "dez" e coloque "zero" no tão precioso depósito, que é sua mente.

Por alguns segundos apenas.

Hoje, me sinto bastante incomodado.
Um aluno, geralmente maduro e com cabeça no lugar, cometeu um erro que poderia ter consequências maiores não fosse a provisão de Deus.
E o que me incomodou não foi o erro em si, já que como somos humanos somos sujeitos a cometê-los. O que mexeu comigo foi a fração de segundos em que uma decisão errada é tomada e as consequências que advêm dela. O que aconteceu com o menino citado acima é apenas uma prova de que ações impulsivas podem trazer problemas a todos. E tudo em segundos apenas.
Deixamos que as emoções tomem conta, substituímos a razão e pronto. Erro cometido, mas que poderia ser evitado.
Hoje, um problema maior foi evitado, mas quem garante que amanhã vai ser assim?
Nossa geração é estimulada a violência constante, quer por filmes, quer por desenhos ou quaisquer outros programas de televisão. E o que nós, Pais e Educadores, fazemos? Ou devemos fazer?
Ficar parados observando a vida passar? Lamentar a atitude perniciosa de nossa juventude? Ou simplesmente lavar as mãos?
Penso de outro modo.
Ensino adolescentes na faixa dos 12 aos 15 anos e sei que eles podem gerar resultados excelentes se forem estimulados a tanto. Podem fazer maravilhas se forem bem orientados. Mas também são capazes de atos terríveis, como qualquer outro ser humano , se forem deixados sem orientação, sem um guia para direcionar a vida. Daí, a grande importância do diálogo. Especialmente, nessa faixa de idade. É através do diálogo que podemos resolver diferenças, construir caminhos, quebrar barreiras. Há muitos meninos e meninas por aí que só esperam uma oportunidade para falar, para ouvir. Para sentir-se amado ou amada.
Crianças que são amadas geram tornam-se adultos amorosos. E isso é fato comprovado.
Conversando com meu aluno, deu pra perceber aquele brilho nos olhos típico de alguém arrependido, mas com dificuldade de reconhecer o erro. E naquele momento, uma convicção veio em minha mente: eu amo o ensino. É por isso que sou um educador. O salário nunca vai ser dos melhores, mas não há dinheiro no mundo que pague a sensação de ajudar alguém, de dar apoio a alguém. De mostrar que sempre existe uma outra opção, além daquela que nos é mostrada pela sociedade desigual em que estamos inseridos.
Acredito que meu querido amigo aprendeu uma lição hoje. Talvez seja difícil colocá-la em prática, mas o crescimento humano começa pela conscientização do que nós somos e do que podemos ser. E alguns segundos podem fazer a diferença, mas também podem ser a linha divisória entre a imaturidade e o amadurecimento.
Que Deus abençõe para que o segundo sempre reine sobre a primeira.

Passa o cartão?

Uma coisa é certa sobre o Desgoverno Lula: sempre haverá um escândalo para estampar as capas dos jornais. No último, o abuso do cartão de crédito corporativo, caiu mais uma ministra. Assim como caiu a capa de " ética " usada pelo governo.
Ainda que o mau uso do dinheiro público por parte dos nossos representantes não seja novidade ou exclusividade da gestão atual, o que espanta é a facilidade em se arranjar desculpas para justificar os gastos excessivos.
Entretanto, com tanta miséria espalhada pelo país, causa revolta perceber o grande volume de dinheiro gasto em "despesas públicas" que não trazem benefício algum à população.
E o povo?
O povo tem que se contentar com o "Bolsa - Esmola".
Se uma atitude séria não for tomada por órgãos responsáveis pela fiscalização do uso indevido do dinheiro público, muitos cartões continuarão passando. E levando com eles a possibilidade de vida melhor para muitos.

Perdendo a piada.

Por que razão fazemos piada de tudo e de todos? Existe algum problema no tipo de humor sarcástico e de conotação sexual praticado nos programas brasileiros? E afinal de contas, é melhor perder o amigo, mas não perder a piada?
Se levarmos em conta as mazelas do país, não haveria motivos pra tanto riso. Entretanto, o humor funciona como uma válvula de escape ao justificar a tese de que " o brasileiro rir de suas próprias desgraças".
No entanto, isso não valida as piadas preconceituosas e imorais usadas para sustentar audiência. Ao zombarmos dos outros por causa de suas características, origem ou opção sexual, deixamos de lado o amor ao próximo, o respeito ao próximo.
Por essa razão, é melhor perder a piada.
O humor sadio faz bem ao corpo, a alma e não humilha ou alimenta idéias absurdas originadas no processo colonizador que ainda sofremos.
E desta triste realidade não dá vontade de rir.

Um Eduardo, Outra Mônica.

Eduardo abriu os olhos.
E dessa vez, quis logo se levantar.Não aguentava mais as loucuras da Mônica. No começo era tudo flores. Mas não avisaram dos espinhos. Os filhos já haviam crescido, os peitos já haviam caído. Onde estava aquela Mônica que tanto o encantou? Hoje era só reclamação pra cá, queixas pra lá. Nunca mais houve festa estranha com gente esquisita. Pensava em algo pra mudar a situação.
Enquanto isso, Mônica desistiu de tomar outro conhaque. Ele não ia ajudar mesmo. Seu príncipe tinha virado um sapo. Barrigudo, careca. O que fizeram com seu Eduardo? Trocaram-no por um sujeitinho mal-humorado, ranzinza. Ele nunca foi um exemplo de romantismo, mas piorou com o passar dos anos. Os gêmeos, já crescidos, eram a única certeza de felicidade que lhe restava. Pensava se ainda queria manter essa situação.
"E quem irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?." Essa frase não saia da cabeça de Eduardo. Apaixonou-se muito cedo. Era tão novo, inexperiente. Deixou-se levar pelo coração. Queria poder voltar ao tempo do futebol de botão com seu avô. Tá certo que o relacionamento teve momentos maravilhosos, mas parece que eles desapareceram numa avalanche de situações ruins do cotidiano. Eram diferentes demais. Como água e óleo, não se encaixavam. Mas então, por que tanto tempo juntos?
"E quem irá dizer que não existe razão?" Mônica repetia para si essa frase. Sempre teve a cabeça no lugar. Mas ao conhecer Eduardo, a emoção tomou conta de si. Não eram nada parecidos, mas todos diziam que ele completa ela e vice-versa, que nem feijão com arroz. E foi isso que manteve a união durante tanto tempo. E hoje ela se pergunta se valeu a pena.
Eduardo a olhou. Foi sincero e direto. A relação chegou ao fim e não adiantava ficar enganando a ambos. O divórcio os esperava.
Mônica o ouviu. Aprovou a sinceridade dele. Pensava o mesmo. Era melhor acabar aqui enquanto ainda podiam guardar boas lembranças de ambos.
O tempo passou. Renato compôs a música.
Eduardo a ouviu em um dos momentos em que curtia sua recente solteirice. Primeiro, achou engraçado. " Que coincidência", pensou. Em seguida, refletiu em sua própria história vivida até aqui. Estava querendo enganar a quem? Algo estava faltando. E sabia o que era. Resolveu agir. Qual o número dela mesmo?
Mônica estava espantada. Acabara de ouvir sua história musicada. Pensou na decisão que havia tomado. E não estava conseguindo enganar a ninguém. Sentia falta do seu oposto indispensável. E iria lutar pra tê-lo de novo. Custe o que custar.
O telefone tocou.
Era Eduardo.

São humanos com nossos direitos?

Odeio ter idéias atrasadas.
Rasgar a Constituição é uma delas. Quando pensei em fazer, nossos representantes fizeram na minha frente. Nem esse direito eu tenho.
É triste comprovar que somos uma terra sem leis. Já é até banal falar na violência das cidades. João Hélio e João Gabriel viraram marcas no coração do Brasil. Um país que não consegue cuidar do seu próprio futuro.
Quando sabemos das últimas notícias, uma onda de comoção nos atinge. E surte pouco efeito. A próxima tragédia vai nos abalar mais ainda. Vamos chorar, reclamar, dizer " como isso pôde acontecer?" E depois voltaremos ao mesmo ponto estático a que nos acostumamos.
O Brasil é assim.
Até no mais inóspito recanto do país, há uma sensação de insegurança, real e assustadora. E não existe dinheiro que traga de volta as vidas levadas pela violência.
Seria fácil colocar a culpa em nosso corrupto presidente e seus aliados interesseiros. Eles são culpados, mas foram colocados lá pelo voto popular. O mesmo povo que fica a mercê dos bandidos sem ternos, enquanto os engravatados estão seguros atrás dos muros de suas mansões.
É meio repetitivo afirmar isso, mas tudo começa no contexto político. A bagunça social que reina em nosso país teve origem lá. E a solução também.
O problema é que a massa de eleitores não tá nem aí pra isso. E o comércio eleitoral faz a festa nessa época do ano. Tudo isso porque em uma nação tão carente, física e emocionalmente, não se dá valor ao voto. Ele é moeda de troca. Vale uma sandália, uma cesta básica ou um cargo comissionado no próximo governo.
Assim é o Brasil.
A Constituição, que foi rasgada, garante uma montanha de benefícios aos cidadãos. Nenhum deles à disposição na prática.
Não são humanos com nossos direitos.
Na verdade, nem sei ao certo se são humanos.

E se Jesus comesse farinha seca?

José andava escabriado.
Maria tinha embuchado, mas o pobre coitado nem sequer ralou nela. Temendo pela vida, resolveu fugir pra não sentir o facão do pai da jovem. Antes disso, um cordel de anjos entrou na história.
" Ô, Zé! Se avexe não
O Sinhô tem um plano maior
Junte os trapos com Maria e jamais a deixe só."
E assim vingou Jesus no mundo. Era um bagurizinho singelo. Pele escura, queimada pelo sol. Olhos negros como a noite. Acostumado a beber leite de cabra, cresceu regado a muito camarão e arroz de cuxá. Mas também conheceu a dureza da vida sertaneja. Era um menino da roça , do arado. Manejava uma enxada como ninguém. Mas valia a pena, pois no final do dia uma piaba com farinha seca o esperava.
Enquanto crescia, se revoltava contra as misérias do sertão. Era tanta gente sofrida nesse chão, que não parava em casa. Saía por aí. Ajudando um aqui, outro acolá. Diziam que tinha uma mão santa. E não é que era mesmo? A fama correu pela região e vinha gente de longe só para vê-lo.
Já homem feito, resolveu escolher uns cabras bons para ajudá-lo. Tudo gente da terra e acostumados ao serviço. Apesar da pouca instrução, era habilidoso na palavra. Como todo nordestino, adorava contar causos. E neles mostrava todo o amor do Sinhô por esse povo sofrido.
Entretanto, O Tinhoso, O Coisa-Ruim tentou tirar Jesus do trabalho. Não deu nem pro cheiro. Jesus, o legítimo Filho do Santo, botou o Tinhoso para correr.
Eita, cabra arretado, esse Jesus!
E por isso, ele começou a incomodar.
Os coronéis da região, poderosos em dinheiro, resolveram calar Jesus. Sabiam que não dava pra comprá-lo. Decidiram passar a pexera nele, mas tudo dentro da lei.
Compraram o apoio do líder religioso da cidade e acusaram Jesus de "revolucionário", "revoltado".
E realmente, Jesus era isso. Ficava revoltado em ver tanta criança morrendo de fome, tanto político roubando dinheiro público, tanta miséria em uma terra tão produtiva. Mas, enfim, como você já sabe, ele foi preso, "julgado", condenado. Vitorioso sobre a morte, ressuscitou ao terceiro dia.
E pra alguns, virou ícone da cultura pop. Ficou loiro, adquiriu belos olhos claros, um perfil europeu estampado em vários lugares desde a idade média. Ficou "elitizado".
Tentaram tirar do Cristo o perfil de homem do povo e popularizar sua imagem burquesa.
Não deu certo.
Quer na região árida da Palestina, quer no sertão nordestino, Jesus sempre será um revolucionário, homem do povo que veio para todos. Sem distinção.
Ainda mais no Brasil. Tão cheio de fé. E, às vezes, na pessoa errada.

Com o dinheiro de Deus.

Há uma maldição na minha vida.
Que está minando minhas finanças e impedindo minha prosperidade.
Pelo menos é o que diz o tele-evangelista. O "devorador" consome tudo o que produzo porque sou infiel. Não importam minhas idas dominicais à Igreja ou minhas tentativas de ser um bom moço. Meu bolso precisa se exorcizado e devo deixar minhas riquezas terrenas e entregá-las à Igreja.
(Opa! Desculpa!). Entregá-las à Deus.
Mas o quê Deus vai fazer com elas?
Nada.O Real não vale no céu. Mas os representantes de Deus vão saber santificar meu dinheirinho imundo. E haja investimento eclesiástico. E pastoral também. Afinal de contas, um homem de Deus deve andar bem vestido, alinhado. E ficaria difícil se ocupar em apascentar as ovelhas, se o líder estivesse preocupado com suas finanças caseiras, particulares.
Ora, Deus é o dono de toda riqueza da Terra, logo seus filhos também o são. Pena que sua prole é pequena já que há tamanha miséria no mundo. Mas, a Igreja tem que se manter em um patamar acima disso. Templos suntuosos devem ser erguidos para refletir a glória do Todo-Poderoso. E é preciso enxergar a bênção antes que ela se concretize , fazendo uma oferta financeira proporcional a quantidade de delitos praticados.
Hum... já vi vou gastar muito.
Até pensei em conversar com o evangelista da TV, mas desistir. Deus o enviou em uma viagem missionária para Miami com todas as despesas pagas e direito a acompanhantes. Tudo pra ajudar pessoas mais necessitadas.
Miami...
Acho que perdendo tempo no magistério.
Será que ainda há vagas para tele-evangelistas?

Mais desculpas... para mais pessoas!

Desculpas.
Foi com essa palavra que o secretário de segurança do Rio de Janeiro se dirigiu à família do pequeno João.
Desculpas.
Como se o simples pronunciar da palavra pudesse transformar a situação e amenizar a dor da perda. É certo que não foi o secretário que apontou a arma que vitimou o garoto. Nem tampouco o governador. Mas o que acontece nas grandes cidades brasileiras é resultado direto de anos de políticas públicas mal-direcionadas na área de segurança. Por causa da omissão dos governos de hoje e de ontem, temos o caos do momento. E o que mais incomoda não é isso.
O que mais incomoda, o que mais dói é ver a angústia de alguém que foi marcado pela violência. O sentimento de impotência diante de uma situação inesperada, trágica.
Não adianta pedir desculpas. É preciso mais. Uma polícia despreparada só vai perpetuar barbaridades como as cometidas recentemente. Quantas vidas terão que ser perdidas até que algo seja feito de concreto?
Recentemente, o filme "Tropa de Elite" trouxe a truculência policial para a pauta do dia. Muito se falou, muito se discutiu sobre os métodos aplicados pela polícia no combate ao crime. Tanta violência foi tão estimulada que aos olhos de alguns virou um mal necessário.
Os policiais que mataram o pequeno João agiram como se estivessem em um seriado policial, atirando primeiro e nem sequer dando uma oportunidade pra qualquer rendição ou indagação. Eles são um reflexo de como é a segurança pública no Brasil.
E o governo vem com um papo de "desculpas?"
Não dá pra aceitá-las!
Resta a mais uma família brasileira enlutada tentar se reerguer, recomeçar a vida, ainda que imersa na saudade do anjinho que foi tirado de forma absurda do nosso convívio.
E a nós, resta-nos o desabafo de um pai, que mesmo no auge da dor, soube encontrar forças para deixar-nos uma lição:

" Ninguém tem o direito de matar ninguém. O Estado não tem carta-branca pra matar ninguém. Aqui não tem pena de morte. Se esta instituição está falida, vamos melhorar a instituição, mas não botar um monstro na rua pra matar a gente".

Sábias e comoventes palavras.
Esperamos que as autoridades competentes(?) as tenham ouvido.

Fragmentos de uma campanha ( O passo a passo de um canalha)

15 de Janeiro de 2008.

Começam os preparativos pra campanha. Meu grupo de aliados confia sinceramente em mim. E eu não confio nem um pouco neles. São um bando de oportunistas, querendo uma fatia do meu bolo. Vou deixar que pensem que estamos do mesmo lado. O meu lado.

27 de Fevereiro de 2008.

Reunião para arrecadação de fundos. Os empresários da região fizeram generosas doações. Terei que recompensá-los durante minha gestão. Faço um caixa-dois para minhas próprias necessidades pessoais. Aproveito para ampliar a piscina da minha casa de praia.

30 de Abril de 2008.

Apesar de ser um ateu convicto, dou a palavra em alguns cultos evangélicos. Penso em colocar um pastor como vice. É bom pra imagem. E se o outro lá conseguiu por que eu não?
Faço enormes sacrifícios para a campanha. Hoje tive que abraçar um bando de crianças pobres, feias e barrigudas. Deviam estar cheias de lombrigas. Ainda bem que tenho desinfetante em casa.

26 de Junho de 2008.

Defendo publicamente a candidatura do meu sobrinho à câmara municipal. A oposição acusa-o de oportunista. Dizem que ele não conhece o município. E é verdade mesmo. E desde quando é preciso conhecer algo para legislar?
Bem, minha campanha segue em frente. Já tenho até grupos de orações a meu favor. Esses crentes não são maravilhosos?

18 de Agosto de 2008.

Meu primeiro comício foi um sucesso. Os militantes levantaram bandeiras e bateram palmas a cada palavra que eu dizia. Também, com 10 reais por dia, se for preciso quero até que beijem minhas mãos. Estou gastando muito na campanha. Vou repor tudo desviando verbas durante meu governo. Se alguém desconfiar, faço como Lula: não vejo nada, não sei de nada. E imito cara de pobre.

29 de Setembro de 2008.

A campanha chega ao auge. Entretanto pesadas denúncias de compra de votos caem sobre minha pessoa. O partido sai em minha defesa. Com um pouco de lábia e marketing, o caso é abafado. Sigo vitorioso para o dia da eleição. E com tantos laranjas bancados por mim, essa não tem pra ninguém.
Obs: Por via das dúvidas, devo lembrar de desenterrar algum podre do meu adversário e colocar em exposição no jornal da cidade.

05 de Outubro de 2008.

Sou carregado pelas ruas do município por um grupo de eleitores felizes e esperançosos. Minha vitória foi esmagadora. Passo pelos comitês dos meus adversários rindo à toa e soltando rojões. Já planejo a compra dos vereadores da nova Câmara. Gastarei uma grana, mas será um investimento seguro já que a chave dos cofres públicos ficará comigo.
Mas nada de moleza não! A partir de amanhã, começo a construir a base para minha campanha ao governo do Estado. E quem sabe no futuro, à presidência.
Lula conseguiu, eu consigo também. Temos cara-de -pau, os pobres nos amam e amamos incondicionalmente o poder. Mas em uma coisa eu o supero.
Tenho um dedo a mais.

E eles é que são os mocinhos?!

Foi-se o tempo em que para alavancar a audiência de um programa ou para lucrar em cima de uma película apelava-se para tórridas cenas de sexo. Todo mundo topava agüentar alguns minutos de trama desconexa, se ao final , fosse recompensado ao ver os "dotes artísticos" da siliconada da vez. Mas isso é passado. O carro-chefe de nossa cultura de entretenimento atual é a realidade nua, crua e violenta. Com bastante ênfase na violência. Quanto mais sangue, balas perdidas, crueldades dignas do inferno e sangue( novamente) aparecerem melhor. Melhor para os cofres dos produtores, é claro.
E entre tantas realistas-oportunistas, ainda dá pra achar uma pérola que vale a pena o valor da entrada e as quase duas horas dedicadas para assisti-la. Refiro-me a "Tropa de Elite" do diretor José Padilha ( autor do também ótimo "Ônibus 174". Assista se puder).
O filme virou um fenômeno, não só pelo elenco afiado, mas por trazer o BOPE para a boca do povo, ao mostrar policiais que primam pela honestidade e combatem a violência absurda dos morros cariocas com mais violência ainda.
E há algum mal nisso?
Vivemos em um mundo nem branco, nem preto. Mas cinza. Assim como no filme, é difícil definir quem é mocinho e quem é bandido se ambos usam os mesmos métodos. É claro que a violência não deve ser combatida com flores, mas até quando vai prevalecer no país a lei do "atire primeiro, pergunte depois?"
É fácil para nós olharmos as ações duras da polícia e aplaudirmos de pé. Não vivemos essa realidade. Agora, pergunte a algum morador de favela carioca ou de comunidade carente de qualquer parte do país, que já foi vítima de violência policial ou de bala perdida, o que ele acha do método " violência contra violência."
É preocupante perceber que boa parte dos nossos jovens estão inseridos de tal modo nesse contexto que transformaram o símbolo do BOPE em um dos mais copiados da internet.
Estamos perdendo a guerra contra a violência , uma vez que cedemos a ela. É preciso fazer algo para transformar essa realidade. Ações práticas e não atitudes utópicas. Passeatas pela paz chamam atenção, mas são de pouca utilidade. O que vale mesmo é a união popular pela cobrança de políticas públicas por parte de nossos governantes.
É por aí que a mudança se origina. Sem falar que a Educação deve virar prioridade em cada canto deste país. E falamos de um processo educacional contínuo que estimule a crítica, a produção de pensamento livre, sem amarras ou alienações do sistema desigual em que estamos inseridos.
E quando assistir a "Tropa de Elite", assista até o final. Ele não é um elogio a violência, mas sim uma constatação do quão cinza é o mundo ao nosso redor.

Do Relento ao Sucesso.

Foi assim que a história dele começou.
No princípio não se via algo a mais. Grande engano.
Todos nós temos algo a mais. escondido talvez. Inexistente jamais. Só era preciso encontrar o que se sabia estar lá.
O primeiro contato até que foi amistoso, mas não dava pra perceber a genialidade que ali se veria meses à frente. Entretanto, pouco a pouco, sua luz própria foi surgindo. Era um comentário aqui, uma boa idéia ali e ele foi sendo percebido e chamando a atenção.
Não de uma maneira produtiva. E isso o fez conhecer o relento pela primeira vez. Entretanto, podia ver o algo mais.
Durante um tempo, o relento parecia ser destinado para ele. Mas, havia algo a mais.
Então de forma inesperada, surgiram bombas.
Investiga um, pressiona outro. Até que chegaram nele.
Foi uma das primeiras vezes em que conversamos pra valer. Eu só queria entender o porquê. E saí da conversa com muito mais do que queria. As lágrimas que saíram dos olhos daquele garoto me marcaram. ajudaram-me a enxergá-lo de verdade.
Vi o algo a mais.
Tinhamos um desafio pela frente. Ajudá-lo a enxergar-se como ele realmente era.
Minto se digo que foi tarefa fácil. Mudanças nunca são fáceis. Mas essa só existiu porque uma família amorosa estava sempre apoiando-o em todos os momentos.
O primeiro passo foi dado. Um erro corrigido. Um adolescente foi restaurado.
Mas por que não tentar vôos mais altos?
O mais legal nessa história é acreditar em alguém quando nem ele mesmo acredita. E isso é a maior recompensa em ser um educador.
Fomos avançando passo a passo. vencendo as barreiras do conhecimento. E como em toda boa conquista de um objetivo, houve um momento em que ele parou. Talvez por causa do cansaço. Ou então da própria insegurança da idade. O fato é que a caminhada parou.
Mas não por muito tempo. Deus tinha outros planos.
Nosso pequeno gênio encontrou-se com outros. Mesma idade, mesmos objetivos, mesma vontade de vencer. E algo incrível aconteceu.
Ele conseguiu.
Ainda que muitos achassem que não, ele conseguiu.
E não apenas a aprovação em algum concurso. Isso foi o de menos. Ele conseguiu crescer. Em caráter, personalidade, no coração.
Hoje, não é mais um aluno. Virou amigo, irmão. E fonte de imenso orgulho e alegria para todos os que o amam de verdade.
E Carlos tem apenas 15 anos.
Já imaginaram o que ele vai ser daqui pra frente?

Não é so ladrão... que corre da polícia!

Anos 80

Corram que a polícia vem aí.

Esse era o título de uma série de filmes que fizeram um grande sucesso. Neles um atrapalhado agente policial resolvia os mais complicados casos com muito bom humor.

Julho de 2008.

Corram que a polícia vem aí.

A frase acima adquiriu um novo significado. E nada engraçado. Como explicar tamanha imprudência da polícia em tão pouco espaço de tempo? Não podemos considerar as vidas que foram perdidas como meros danos colaterais. E muito menos, estáticas em uma guerra civil não declarada que parece não ter fim.
Em todos os recentes casos de violência policial, a polícia atirou primeiro. Mandou bala sem se importar com as consequências. Alguns deles ainda usaram a digníssima expressão "fizemos uma cagada" ao perceberem o assassinato que cometeram por irresponsabilidade, despreparo.
"Cagada" é o que as incompetentes autoridades deste país fazem todo dia em cima da população. A ausência de investimento em segurança pública, na qualificação de policiais gera isso que nós vemos hoje.
Vamos recorrer a quem? Aos traficantes? Às milícias organizadas que querem exercer as funções que cabem ao Estado?
Não! Eu ainda acredito na polícia.
Não nos bandidos de farda que sujam o nome da instituição, mas no enorme contingente de homens e mulheres que dedicam a vida para proteger ao próximo. A polícia não deve ser extirpada. A corrupção sim. É ela que faz a propina existir no momento em a lei deve prevalecer. Que permite que criminosos de farda sejam tratados de forma impune. É preciso limpar a polícia. Caso contrário, os bons homens da Corporação serão subjugados pelos maus.
E isso é algo que ninguém pode aceitar.
Para que cheguemos ao momento em que corremos para a polícia.
E não da polícia.

Em terra de cego, quem tem um olho é servo.

Vale a pena ser honesto?
Pergunta difícil. Ainda mais se levarmos em conta a sociedade em que vivemos. Entretanto, tudo tem relação com os princípios que você tem adquirido desde pequeno. Você veio ao mundo para ser servido ou para servir? Para fazer a diferença ou ser mais um na multidão?
Nosso país há muito tempo já foi dominado pela corrupção, mas não é impossível ser honesto em uma sociedade onde quase todos querem se dar bem, sair ganhando sempre.
O mundo não é dos "espertos". Pertence a todos.
Olhando por essa ótica, honestidade vale a pena.
Não dá lucros ou prêmios, mas constrói o caráter. Não importa se a maioria das pessoas é do grupo dos "espertos", que sempre querem ganhar. Seja do grupo dos que fazem a diferença.
Alguns afirmam que fazer isso não é uma opção válida. Afinal ninguém vai matar pra se dar bem, mas ficar pra trás vendo os outros crescerem? E um dia, quando o país mudar, defenderão a bandeira da honestidade.
Podemos esperar até lá?
Faça a diferença.
E saiba que você vai ficar pra trás, pois estará ajudando outras pessoas a caminharem também.

Se não podem com eles... Juntem-se contra eles!!!

Estava cansado.
Por mais que tentasse, seus planos para derrubar o dito cujo nunca davam certo. Descavava denúncias de corrupção, mas um séquito de advogados sempre livravam a cara o seu adversário. Alertava as pessoas acerca das mentiras contadas por ele, mas ninguém o ouvia. Parece até que o sujeito era inabalável. Por isso ficou surpreso quando recebeu a proposta . Uma singela proposta para deixarem as diferenças de lado. Irem pro mesmo lado. Afinal, juntos poderiam muito mais.
Pensou no que fazer diante de uma situação dessa.

A história acima pode ser inventada, mas o problema é real. Existe uma instabilidade gigantesca na chamada "oposição" neste Estado e Nação. Os inimigos mortais de hoje serão os bons companheiros de amanhã. São comprados por algum benefício futuro ou por algum dinheiro do presente. O consenso geral para algumas pessoas é que todos têm um preço e que ideologias não possuem valor algum.
Só que não é bem por aí, não.
Integridade não se compra. Honestidade não se vende.
Em vez de unir-se aos corruptos e fazer parte desse jogo de interesse pessoais, devemos é manter firme a convicção daquilo que é certo. E não nos vendermos física ou ideologicamente para o que é legalmente errado.
Juntar-se contra eles, os poderosos que acham que mandam em tudo e em todos, é a opção que nós devemos seguir. Entretanto, nossa cultura é de submissão, subordinação, aceitação do modo mais "fácil" de resolver um dilema. É a praga do "jeitinho brasileiro", que não dá jeito em nada.
A melhor forma de resistência contra essa bagunça que estar aí é manter-se firme nos princípios da honestidade, da ética, da luta por um bem comum, partilhado por todos.
Sozinho, eu não posso com eles.
Mas juntos, nós alcançamos o impossível.

Ado, aado, vão ver o sol nascer quadrado???

No quesito criatividade, somos incomparáveis. Damos ao mundo várias contribuições que ficarão na história, como a dança da vassoura, da boquinha da garrafa e a do créu. Agora despontamos com a dança do quadrado. Até que é divertida na sua boba futilidade.
Fico imaginando figurões acusados de corrupção, como Daniel Dantas, cantando a já conhecida melodia. Diriam : "Ado, aado, não vou ser trancafiado". Parece até que já imaginavam o dilema "Tranca e Solta" que atingiu o judiciário brasileiro.
E isso não é de agora. As liminares sempre existiram e sempre existirão. São parte do processo legal de uma sociedade democrática. Mas como explicar isso para uma população cansada de ver tantos impunes e soltos por aí?
Onde estão os deputados envolvidos no chamado "Mensalão"? Presos é que não. Alguns até mesmo se reelegeram e estão de volta ao Congresso Nacional, sendo pagos com dinheiro do contribuinte. Nosso dinheiro. Isso sem mencionar outras denúncias que atingiram a sociedade só nesses anos de desgoverno do PT. O próprio Collor voltou. E voltou com o consentimento dos seus eleitores. Fazer o quê, ?
Essa época de denuncismo que vivemos no Brasil tem um lado positivo, mas também acaba caindo no lugar-comum. Uma denúncia é feita, pessoas são presas e logo depois são soltas. E depois tudo começa de novo.
Até a próxima corrupção ser escancarada.
Aí, voltamos a falar sobre rios de dinheiro que são desviados e jamais devolvidos aos cofres públicos. A Polícia Federal até que faz a parte dela, mas esbarra nas brechas das leis brasileiras, na estrutura do poder judiciário, que na pretensão de ser igual com todos, privilegia alguns.
É difícil olhar para a futura geração e vê-la como parte de uma sociedade onde a honestidade prevalecerá. Difícil, mas não impossível.
Pra cada Daniel Dantas, existe centenas de Josés, Marias. Centenas de pessoas como você. Que desejam sinceramente que nosso país torne-se uma nação melhor, com direitos iguais para todos.
Um pais onde os corruptos certamente ouvirão:
"Ado, aado, vão ver o sol nascer quadrado".

Sexo antes do casamento não é bom! Pode atrasar a cerimônia!

O título acima é uma piada. De gosto duvidoso, mas piada. O mesmo pode-se falar da castidade. Dá pra levá-la a sério em mundo cada vez mais impulsionado pelo sexo? A Igreja é bem rígida quando se trata do assunto e exige obediência cega dos fiéis, que não obedecem nem aos próprios pais quanto mais ao Papa. E debaixo do chicote da fé, o sexo vai sendo tratado como algo que nos traz vergonha. Necessário é verdade, mas de certo modo, pecaminoso. Não foi ele que derrubou Adão e Eva do paraíso, segundo o que dizem alguns cristãos desinformados?
A questão é que sexo vende. E vende bem. O mercado pornográfico brasileiro é um dos que mais cresce( se não for o mais). E esse crescimento depende da prática, muitas vezes precoce, da relação sexual. Daí para a propagação de doenças venéreas é um pulo só. A AIDS cresce nesse ambiente também, mas os filhos indesejados não. Esses são vitimados pelos abortos criminosos das clínicas clandestinas ou dos banheiros obscuros de uma casa qualquer.
Desse modo até parece que a castidade é o que falta para tornar o mundo um lugar melhor. Mas não é bem por aí.
O problema da Igreja é a imposição. Ela não convence, manda. Não ensina, obriga o fiel a engolir goela abaixo seu modo de pensar sobre algo. E isso obviamente não dá certo. Como resultado, vivemos em uma das maiores nações católicas do mundo, entretanto os fiéis ignoram as mais simples orientações de seu líder máximo.
Tanto desejo de controlar os passos dos devotos faz com que as pessoas se afastem do evangelho e proporciona atos que beiram o absurdo como condenar o uso de preservativos em uma sociedade sexualmente ativa e vitimada pelo HIV.
Castidade ou não é escolha do próprio indivíduo. As imposições da Igreja não vão torná-la realidade. E também não serve para medir o caráter de alguém. É decisão pessoal baseada nos princípios de fé e moral que adquirimos durante o crescimento.
As posições extremistas é que devem ser condenadas. Não somos animais para viver em um eterno cio, com uma parceira hoje e cinco amanhã, mas também nem todos receberam o dom do celibato, ao que parece, tão desejado pela autoridade papal.
O fato é que sexo é bênção de Deus. É compartilhamento de vida, de amor.
Com responsabilidade e no momento adequado, escolhido por você e por mais ninguém.

Que droga!!!( O relato verídico de um viciado em Coca).

Fui criado em um lar amoroso, cristão. Ia para a Escola Bíblica todas as manhãs de domingo. Cresci nesse ambiente de Igreja. E para minha tristeza, foi lá que a conheci.
Tinha apenas sete anos. Meus pais cuidaram bem de mim. Às vezes, até me super-protegiam. Mas eles nunca imaginariam que iria me tornar um viciado.
Como toda criança sempre fui curioso. Me disseram pra cheirar, pra ver se eu gostava. E assim foi. Aquilo me encantou. Me envolveu. Não apenas cheirei. Tomei tudo de uma vez só. Minha vida mudou a partir desse momento. Não podia mais viver sem ela. Queria sempre mais. Nunca estava satisfeito. Era no almoço, na merenda, no jantar. Meus pais não gostavam muito da idéia, mas como me amavam não sabiam dizer "Não" para mim.
E esse foi o grande erro deles.
Enquanto o tempo passava, minha dependência dela aumentava também. Tornei-me um adolescente da Coca. Só fazia algo se estivesse ligado nela. Terminei namoros porque as meninas não gostavam dela. Briguei com amigos que queria que eu a deixasse. Gastava a maior parte da minha grana sustentando o meu vício. Até que não aguentei mais. Tive uma overdose por causa do uso da Coca pura.
Às vezes, nós vivemos de modo egoísta, achando que ninguém pode nos vencer, que nada pode nos abalar. Então, a vida nos dá uma rasteira e chegamos ao fundo do poço.Nunca quis ter "emoção pra valer" ou "viver o lado Coca da vida."
Eu tento deixar o vício. Mas é muito difícil. Meu organismo já depende dela. Não quero que essas palavras sejam esquecidas, jogadas ao vento. Por isso, peço que ouçam meu testemunho e que minha história sirva como um alerta sobre o perigo das drogas.
Os homens gananciosos que a produzem fazem de tudo para popularizá-la. Colocam-na em filmes, nas mãos de cantores e artistas famosos. Até associam o consumo da Coca com o nacionalismo em tempos de Copas do mundo e de Olimpíadas.
Sei que desperdicei boa parte da minha vida e que tenho uma longa estrada de recuperação pela frente, mas hoje tenho consciência.
A Coca é uma droga e na minha vida ela não Cola mais.

Se Deus é brasileiro, O Diabo é americano!

Imagino Deus ansioso, esperando para ver a cobrança do pênalti, já sabendo o que ia acontecer. A seleção Canarinho ia deixá-lo na mão de novo. Como somos miseráveis! Deus torce por nós e nós pecamos. Erramos literalmente o alvo. Ainda bem que Ele é brasileiro, senão já teria mudado de time. Depois que Israel tornou-se o Faraó para os palestinos e os americanos colocaram Bush na Casa Branca, Deus adotou nosso país como nação eleita. Morram de inveja, argentinos. Deus é nosso agora.
O Diabo adora copiar Deus. Deixou de lado nações árabes( que são evidentemente satânicas)como o Iraque e abraçou os ianques. O Diabo agora usa listras azuis e vermelhas, curte um hip-hop e adora um basquete. Até conhece o presidente. Os dois almoçam juntos todos os domingos. Mas o Diabo traz sua própria comida. É bom não confiar muito. Vai que os americanos resolvem tomar o lugar dele.
Enquanto isso, Deus está às voltas com seu novo povo. Ô povinho complicado. Só Deus pra ter paciência mesmo. Outro dia, um grupo deles pediu uma audiência. Queriam que Deus trouxesse o Corinthias de volta para a primeira divisão. "Mas será que esse povo só pensa em futebol", pensou Deus.Despachou o grupo afirmando que a época dos milagres já passou. E já estava atrasado para o encontro com o presidente. Mas Lula que O esperasse. Os Simpsons estava pra começar.
Até que o Diabo estava se saindo bem com os americanos. Era uma ocupação militar aqui, uma pequena tortura aceitável ali. Ele nem precisou transformar aquilo num inferno. Os americanos já estavam fazendo isso. O problema era alguns fundamentalistas cristãos que resolveram ficar na América. Viviam falando mal do Diabo. Diziam que Deus iria voltar pois a nação americana era muito preciosa e tinha um papel fundamental na história da humanidade. É. os Iraquianos que o digam.
Deus olhou para o presidente esperando uma resposta. Queria saber a soma de dois mais dois. Nem isso ele sabia. Deus lembrou de Bush. Sentiu um pouco de saudade. O pateta americano pelo menos sabia contar. Já o brasileiro não sabia de nada, não via nada. Botaram um cego na presidência. E ainda tinha a amizade com Fidel e Chavez. Nada contra eles, mas Deus só não gostava de concorrência.
O Diabo se aperreou. Não satisfeitos em dominar o mundo, os americanos resolveram fazer um passeio pelo inferno. Chegaram lá botando banca, demarcando território. E expulsaram o pessoal do Diabo. Agora, ali era mais uma colônia do Tio Sam. Foi pro Diabo aprender que ele não é o único demônio no mundo.
Esse povo brasileiro parece que não tem jeito mesmo. Viviam pedindo ajuda de Deus na hora do aperto. Mas depois que a tempestade passava, esqueciam dEle. Isso cansou.
Deus abdicou da cidadania brasileira.
E o Diabo pediu asilo político aos russos.

E o mundo seria um lugar mais tolerável se as nações parassem de reivindicar uma nacionalidade para a divindade.

O Melhor nos candidatos.

Pobre Ivete.
A bela cantora baiana deve estremecer ao ver seus hits sendo copiados por todo o país durante as campanhas eleitoreiras. Digo "eleitoreiras" pois o que vemos não é eleição. É um verdadeiro circo. Você já parou pra pensar nas letras das musiquinhas de campanha? É uma enxurrada de frases bem elaboradas por marqueteiros profissionais(e muito bem pagos) no intuito de levar o eleitor no embalo da conversa fiada.
E não é que conseguem?
Se pararmos pra observar, segundo o evangelho das musiquinhas, todo candidato é jovem( ainda que não pareça ser), trabalhador( embora não se veja ou se verá o fruto desse trabalho) e conhecedor das mazelas de sua localidade( mesmo que o dito cujo nunca tenha morado nela). Falta de criatividade dos compositores? Não! Eles só apenas sabem o que o povo quer ouvir e o colocam embrulhado em alguma melodia de sucesso. E haja paciência e ouvido para aguentar a mesma ladainha musicada diversas vezes ao dia.
As músicas deveriam retratar a realidade sobre o candidato.Imaginemos por exemplo como ficaria a campanha de certo candidato embalada pela melodia da música "Poeira" da musa Ivete:
"Nogueira, Nogueira, Nogueira/ Vai ser ladrão a vida inteira!"
Viu? Assim é que devia ser. É bem provável que ele não ganhasse a disputa, mas ao menos falaria a verdade. Pena que a verdade não é um item muito apreciado no meio político. E por essa razão mais musiquinhas irão surgir. Estamos cercados.
Mas também, o quê podemos esperar de uma nação onde o que há de melhor nos candidatos é a música?
Caro eleitor, abra os olhos e feche os ouvidos. Enquanto dançamos nas melodias dos corruptos, nosso dinheiro dança no bolso deles.
E as musiquinhas até podem ser legais, mas não são elas que vão governar.
Quem governa são os pilantras por trás delas.

Um Arquivo diferente.

Mulder suava bastante.
Ainda não estava acostumado ao calor escaldante do Nordeste, mas apreciava bastante a paisagem do litoral ludovicense. O governo brasileiro pediu ajuda ao FBI para solucionar estranhos casos de desaparecimento nas ruas do Centro Histórico. As poucas testemunhas relatam que os desaparecidos foram levados pela carruagem de Donana Jansem. Iriam se tornar os eternos condutores de seus cavalos com cabeça flamejante. O fato é que sumiram sem deixar vestígios. Um caso típico para os agentes dos Arquivos X.
Scully ainda não conseguia entender como Mulder a convencia a investigar casos tão bizarros. Estavam juntos há pouco tempo, mas ele transpirava confiança e credibilidade. Talvez essa fosse a razão. Porém, o que a incomodava era sentir-se desnecessária. Tudo devia passar de crendice popular alimentada pelo medo natural daquilo que nos é desconhecido.
Mulder achava que não. Acreditava que estávamos diante de um caso raro de abdução paranormal. E não sairia daqui sem uma resposta.
A noite caiu sobre a cidade e os dois agentes montaram acampamento na praça Nauro Machado. Era noite de lua cheia e Scully encantou-se com a apresentação do Tambor de Criola. Enquanto isso, Mulder entrava em contato com a população local.
Ofereceram-lhe um pouco de "cachimbo da paz". Aberto a novas experiências , Mulder aceitou. Scully o achou meio fora do normal, até mesmo para os padrões dos Arquivos X. Mas não deu tempo de analisar direito a situação.
Gritos de socorro chamaram a atenção dos agentes. Scully e Mulder dividiram-se. Enquanto ela dirigiu-se para os "labirintos" do Mercado da Praia grande, ele subiu rapidamente em direção à Escola de Música Lilah Lisboa.
Os anos investigando casos sobrenaturais prepararam Mulder para o inesperado, mas ainda assim, estava maravilhado com o que via. Uma enorme carruagem, com tons fantasmagóricos, vinha em sua direção. As ruas escuras eram iluminadas pelo fogo oriundo dos cavalos.
Mulder pensou em sacar da arma, mas antes disso, mãos firmes o pegaram, colocando-o para dentro da carruagem, que sumiu nas ruas desertas do Centro Histórico.
Scully conseguiu deter os criminosos que ameaçavam um grupo de turistas. Deixou-os com a polícia local e partiu atrás de Mulder. Mas não conseguiu achá-lo.
As buscas por Mulder começaram imediatamente. Mas foram em vão. Não havia sinal dele em lugar algum. Scully não descansou e passou a madrugada à procura do parceiro.
Mulder foi encontrado desacordado na manhã seguinte, em uma rua perto do Arthur Azevedo.
No hospital, Scully detectou a presença de uma forte substância alucinógena na corrente sanguínea de Mulder, que deve tê-lo feito vagar por aí durante a noite anterior sem saber onde estava ou para aonde ia.
Mas Mulder tinha outra explicação.Foi levado pra dentro da carruagem mística. Lá, uma estonteante mulher o seduziu e o levou para o leito. Lembrava somente de algumas cenas do que aconteceu depois, mas aquele perfume jamais sairia de sua cabeça.
Entretanto, Scully dava o caso por encerrado. Não havia assombração alguma na ilha. Apenas um surto de alucinações causadas pela mesma substância que Mulder usara.
Os outros desaparecidos foram encontrados nas mesmas circunstâncias que Mulder.
Este arquivo X estava encerrado.
Porém, apenas Mulder sabia do "sacrifício" que teve que fazer para saciar a Senhora da carruagem. Vai ficar sonhando com ele por meses.
Antes que fossem embora, Mulder perguntou a Scully o que ela sabia sobre serpentes marinhas gigantescas que habitavam o subterrâneo de ilhas brasileiras.
Scully sorriu.
E tratou logo de entrar no carro.

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