E com vocês, a Mulher... Mulher!

Juros altos, crise mundial, economia em recessão.

Cara, tudo isso tá quebrando com as minhas rendas. Preciso arranjar um modo de ganhar dinheiro rápido. Vou ligar a TV. Vai que a inspiração surge.
...
Mas quê que isso que vejo??? O Superpop ( meu programa "educativo" preferido) apresenta a mais nova aquisição da cultura musical brasileira: a mulher múmia ( que de múmia não tem nada). Enquanto estudo a anatomia das faixas , uma idéia me vem a cabeça. Essas gostosas sem talento... (ops, desculpem!) Essas talentosas artistas faturam uma grana boa. E seus empresários também. Vejo que é hora de mudar de profissão.
...
Muito bem. Preparem-se! Orgulhosamente eu apresento a Mulher... Mulher!
Ela não canta, mas encanta. Suas qualidades são bem maiores do que qualquer bunda arrebitada.
A Mulher-Mulher sempre estará presente quando você precisar.
Acabou a cerveja? Rapidamente ela entrará em cena e vai ajudá-lo na difícil tarefa de encher o seu copo. O dedão do pé tá coçando e bateu aquela preguiça de coçar? Nossa heroína sempre sorridente aparecerá para salvar o dia. Seus amigos resolvem fazer uma visita surpresa em pleno feriadão? Não se preocupe! Nosso modelo de mulher preparará um banquete dos deuses, sempre sorridente e disposta a agradá-lo. Sem falar que entre quatro paredes, ninguém a supera. E ainda temos a versão muda para que você não se estresse com tanto falatório.
E então? Sou ou não sou um gênio?
...
Estou nas nuvens. A aceitação da Mulher-Mulher está sendo muito boa. Até já estou pensando em montar uma filial em algum país do Oriente Médio ( afinal, eles entendem bem de submissão). Minha idéia "original" salvou as minhas finanças. E estou conquistando o mundo nos meus quinze minutos de fama. Nos bastidores, é claro. As siliconadas suam a camisa e eu enxugo com minhas notas reais.
...
Quem diria! Estou no sofá do !Realizei um sonho de infância. E tudo graças a um par de seios turbinados. Não os meus. Mas os dela. E como gastei muito na embalagem mas não no conteúdo, não deixo que minha criação fale nada. Eu respondo as perguntas e ela mexe o traseiro.
...
Vejam só. Minha criação resolveu ser independente. Ter vida própria. E acabou de me dar um chute no traseiro. Mas tudo bem! A recissão do contrato vai me garantir uma aposentadoria considerável.
...
E enquanto escrevo estas linhas, imagino a quantidade de pessoas que realmente possuem essa visão acerca das mulheres. Eis o porquê do "mercado das mulheres-frutas" se renovar constantemente nesta grande feira ao ar livre chamada "Brasil".

Governar é cuidar do povo. E definitivamente!

No reino do "Faz-de-conta-que-acontece" o caos havia se instalado. A rainha, temerosa em perder o trono, tratou logo de visitar os cantos mais remotos para mostrar aos seus fiéis súditos que o poder ainda estava em suas mãos. Montada em seu corcel, acompanhada de bajuladores e seguida pelo povo, ela ia triunfante. Era um abraço apertado aqui, um cheirinho nas crianças ali. Tudo transcorrendo conforme manda a cartilha do bom governante.

Mas, eis que de repente uma bomba é lançada: "Crianças do reino morrem por falta de assistência médica."
O múrmurio foi geral.
"Nossa! Como isso é possível?" era a pergunta recorrente nas ruas. "Onde estão as tendas médicas?" "Não há mais vagas?"
Furiosa, a rainha cobrou explicações do curandeiro chefe.
Não encontrando-as, foi taxativa em sua sentença: "Corte-lhem a cabeça!"
Quem dera fosse tão fácil assim resolver as coisas. Moedas do reino foram enviadas para acalmar a situação.Mas o mal já havia sido feito. Revoluções pipocavam pelo reino. O poder da rainha estava ameaçado.
Entretanto, havia um ás na manga. O grande marqueteiro, aquele-que-tudo-sabe. O único que poderia criar uma mágica poderosa, capaz de ludibriar o povo e trazer a passividade ao reino.
E assim foi.
Telas mágicas foram espalhadas por todo reino e nelas belas imagens retratavam as ações da rainha em prol de seu povo.
E vejam só: O que o povo vê, o povo crê.
Uma onda de otimismo varreu todo reino. As pessoas cantavam nas ruas ( sem nem saber bem o porquê) levados pela mágica das telas.
Porém, nem tudo são flores neste mar de amores. Eis que o clichê dos clichês entra em cena: um grupo de rebeldes levanta-se contra a rainha.
"Cortem-lhe a cabeça" gritava a Poderosa enquanto a milícia real caçava os revoltosos. Os que não foram silenciados pelas balas foram trancafiados nos porões.
E para não haver mais problemas, dia e noite as telas mágicas reproduziam a mensagem real. E uma mentira contada diversas vezes acaba transfigurada em verdade.

Assim é o Maranhão. "A grande mentira".
Entretanto, pelo menos em uma coisa a rainha não mente: governar é cuidar do povo. Cuidar para que ele continue na ignorância, na miséria, na escravidão. É cuidar para que as chaves do reino nunca saiam do seu clã.
Exatamente como o papai ensinou. Em um imenso conto de fadas que não tem final feliz.
Ao menos por enquanto.

Éguas!!! Me xingaram de maranhense!!!


Tudo ia bem até os 45 minutos do segundo tempo. O juiz deu mais alguns de acréscimo só pra ferrar com meu Mengão. E foi justamente nesse momento que a desgraça aconteceu. Um chute bem colocado de algum infeliz acabou com o sonho de mais uma vitória rubro-negra. Foi uma tristeza sem fim. Mas tudo bem. Futebol é assim. Às vezes se ganha, às vezes se perde.
Eu entendo isso.
Porém...
Os caras que estavam do lado aposto à minha mesa ao que parece não entendem. Começaram a comemorar de forma entusiasmada. Exagerada pra ser sincero. E isso me incomodou. Perder até que dá pra aguentar. Mas provocação de adversário é foda. Começamos então uma discussão básica, comum em situações assim. Era um "fdp pra lá", um "vai sifu" pra cá. Tudo na mais perfeita normalidade. Até que alguém tinha que estragar o bagulho. Ainda me lembro do choque que levei ao ouvir as palavras saindo e chegando até mim. Quase não consegui acreditar, mas era verdade. "Maranhense". Fui xingado de "maranhense".
Naquele momento, imagens da minha infância invadiram a mente. Todo o carinho que meus pais dedicaram a mim, todos os anos de estudo, tudo isso jogado na lama por causa de uma palavra:"maranhense".
Sou um cara pacífico ao extremo, mas tudo tem limite. A última ofensa foi demais. Desci a mão na cara do sacana e aí a confusão foi generalizada. Como resultado, levei um olho roxo pra casa.
Minha esposa, consciente de minha postura pacifista, estranhou tamanho ato de violência da minha parte. Mas recebi seu apoio e carinho quando revelei o motivo de minha indignação. Derramando-se em lágrimas, ela abraçou-me e foi solidária com minha dor. Minhas filhas, que estavam escondidas ouvindo nossa conversa, correram ao meu encontro e abraçaram-me como nunca haviam feito na vida. "Papai, nós te amamos. Não ligue para o que falaram", elas diziam entre lágrimas.
Depois de tanto apoio, consegui ter uma noite de refrigério. Entretanto, mal sabia o que a manhã iria me trazer.
Os ventos da maledicência já haviam espalhado a notícia na cidade onde morava. As pessoas me olhavam de um modo estranho, apontavam pra mim e soltavam risinhos. alguns me encaravam com aquele olhar de compaixão oferecido ao mais miserável dos homens.
E isso tudo ia me enchendo. Tentei não dar a mínima, mas confesso que foi difícil.
Na escola onde leciono, o alvoroço era geral. Mais do que apenas espalhar a notícia, algum engraçadinho gravou um vídeo da confusão e tratou de divulgar na rede. Logo todos estavam com ele em seus celulares. E faziam questão de assisti-lo enquanto eu me dirigia para a sala de aula. Tentei dar continuidade ao dia, mas os alunos agitados com a novidade não paravam de me interrogar para saber se a tal história era verdade. O alvoroço chegou aos ouvidos do diretor. Fui chamado a sua sala onde tivemos uma conversa.
Na verdade, um interrogatório. E não deu outra. Fui demitido.
O argumento era que não devia esconder algo tão grave assim . Que devia alertar as pessoas.
Fui pra casa arrasado. Culpado por um crime que não cometi. Marcado por algo fora do meu controle, da minha escolha.
E a velocidade como a história se espalhou me espantou demais.
Alguns vizinhos mais exaltados ,"convidaram-me" a mudar de endereço. Não queriam alguém da minha espécie difamando a comunidade. E assim foi.
E tudo por causa do "maranhense".
As pessoas me olham e pensam : "olha só. É aquele ali. Ele é que é de lá da terra do bigodudo, do homem dos atos secretos". "Foram eles que colocaram aquelas pragas no poder há mais de 40 anos. Eita, povinho alienado".
Confesso que sinto vergonha de ser maranhense.
...
Mas pensando bem...
Não há do que me envergonhar. O dinheiro desviado dos cofres públicos não está na minha conta. A miséria que afeta meu povo não foi originada por mim. A alienação que atinge o Estado não se propaga através da minha vida.
Não. Não é vergonha que eu devo sentir. Que você deve sentir.
O sentimento deve ser outro. Chama-se indignação.
Essa é a arma que podemos usar pra transformar o Estado em que vivemos naquilo que nós queremos que ele seja. Naquilo que ele pode ser.
Os pilantras que estão no poder é que deveriam sentir vergonha. Vergonha de tratarem de forma tão mesquinha e ordinária um povo sofrido como o nosso. Um povo que tem sonhos que poderiam virar realidade caso não estivessem debaixo das mãos de tantos homens gananciosos.

E a nossa luta continua. Para que "Maranhense" seja sinônimo de orgulho nacional e não o inverso. Para que nosso Estado seja conhecido pelo valor do seu povo e não pela corrupção de seus governantes.



Não quero Deu$.


"Para me tornar pastor, tive de vender minha casa e doar o dinheiro à igreja. Disseram que era um jeito de provar que Deus estava no meu coração. Quando comecei a pregar, participava de reuniões periódicas para falar sobre metas de arrecadação. Eu fazia uma verdadeira lavagem cerebral nos fiéis para convencê-los a doar mais dinheiro. Precisava levantar 150000 reais mensais em doações e, depois aumentar 20% a cada mês. Cheguei a ir para o hospital, tamanha a pressão. Houve um mês em que consegui apenas 120000 reais. Por não bater a meta, fui xingado de burro e endemoninhado por um bispo. Depois disso, decidir abandonar a Universal."
(Jenilton Melo dos Santos, 44 anos, ex-pastor. Depoimento extraído da revista Veja, Agosto de 2009)

Dinheiro. Para muitos, essencial. Fonte única de prazer, de alegria. É a "mola do mundo". Na verdade, é o mundo. Tornou-se Deu$. Um deus cruel que sempre exige mais e mais daqueles que o adoram. Nunca satisfeito. Sempre consumindo todos a sua volta.

Pode parecer exagero, mas o parágrafo acima é a única explicação possível para as tantas barbaridades que são cometidas em nome de uma fé que de espirtual não tem nada. Ao contrário, é danosa ao corpo a e alma, transformando os "fiéis" em mariontes de líderes oportunistas que gozam dos benefícios do poder. Poder que é concedido pelas ovelhas seduzidas pela voz dos lobos.
E isso é algo inadmissível.
Fé e dinheiro sempre andaram juntos. Desde os primórdios da história cristã. E essa relação costantemente gera discordâncias. É uma luta pelo controle do coração humano. Para saber quem realmente vai ocupar o trono. E temo que o lado errado esteja ganhando.
Há uma ausência de fé despojada em nossos dias. Igrejas lotadas de pessoas viciadas no processo "toma lá dá cá" eclesiástico não mudam a vida de ninguém. Isso gera um interesse temporário no que se refere a divindade. Interesse que encontrará fim quando a questão problemática for solucionada e voltará a tona quando a próxima surgir.
Enquanto isso, os escândalos envolvendo quantias exorbitantes de dinheiro vão levando ladeira abaixo a boa imagem ( ainda que seja mínima) de instituições eclesiáticas sérias.
Arranjar culpados pra tal situação não é tarefa complicada. Basta olhar para os condomínios de luxo e mansões situadas em aréas nobres das grandes cidades brasileiras. E até do exterior. É lá que estão os ministros do evangelho da prosperidade. Guardados no conforto de seus lares , que foram edificados com muito suor e lágrimas.
Não deles, é claro.
Foram as lágrimas do José, do Maria, do João. Do imenso rebanho que anda atrás de alguém que o guie até os pastos divinos, mas apenas servem como fantoches , manipulados por mãos que servem ao Deu$ destes tempos modernos e cujo sangue não verte mais.
Hoje, são apenas cédulas.

Alguém a quem culpar.

Errei.
Mas não foi porque quis. Estava imerso em meus pensamentos, cuidando da minha vida, quando a danada apareceu e me fez perder as estribeiras. Como sou humano, atribuo a culpa a outros.
Jamais erro. Sou levado a errar.
O que no final das contas dá no mesmo, mas alivia um pouco as coisas para o meu lado.
E antes que você atire a "primeira pedra" ( adoro essa metáfora cristã), lembre que somos iguais. Em maior ou menor grau, você faz a mesma coisa.
Ruas esburacadas? Lixo em demasia na cidade? Educação e Saúde em colapso? A culpa não é sua. Claro que não!
É do governante. Aquele que foi eleito por você e alvo prioritário do seu dedo acusador. O fato de ter sido eleito por seu voto é um mero detalhe, facilmente esquecido no calor da indignação.
E pra ser sincero, é mais cômodo agir assim. Quando a culpa está nos outros, podemos descansar a consciência. Afinal, fomos levados ao erro. Ele não faz parte de nós. É como uma pedra no sapato. Algo a colocou em nosso caminho.
Somos inocentes. Você é inocente.
Mas o que acontecerá quando a lista de culpados se findar? Pra onde iremos apontar nossas armas?
Arranjar alguém a quem culpar pelos nossos erros parece ser o grande desafio deste e dos séculos passados. De Adão até nós, outros sempre carregam a culpa de forma indevida.
E por essa razão, a vida de muitos continua inalterada apesar dos esforços feitos para que a mudança ocorra.
É possível mudar essa realidade. Antes que ela transforme cada um de nós em réus dos erros alheios.
Eis uma dura verdade. Mas se você não entendeu, a culpa é sua.
É claro.

Estatísticas

Quem sou eu

Minha foto
Um cara indignado. Indignado pelo modo como nosso país é guiado, pela maneira como a sociedade é moldada. E disposto a fazer a minha parte para mudar o mundo.

Seguidores

Sobre este blog

Minha lista de blogs

Páginas


Search

ARCHIVES

Pesquisar este blog